Malásia critica recomendação da OMS contra o consumo de óleo de palma durante a pandemia

Os óleos de oliva, de girassol e de canola são opções mais saudáveis do que os óleos de palma e de coco, afirmou a OMS em um comunicado.

O Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde para o Mediterrâneo Oriental publicou um comunicado com orientações nutricionais para consumidores adultos enquanto durar o surto de Covid-19, sugerindo, entre outras coisas, o consumo de azeite de oliva, óleo de girassol ou óleo de canola em vez de óleo de palma ou de coco — recomendação que gerou críticas da Malásia, segundo reportagem da Reuters.

O escritório da OMS afirmou que aqueles que seguem uma dieta bem equilibrada, incluindo porções diárias de alimentos frescos e não processados, “tendem a ser mais saudáveis, com sistemas imunológicos mais fortes e menor risco de doenças crônicas e infecciosas”.

Os consumidores também devem evitar gorduras saturadas encontradas em carnes gordurosas, creme de leite, manteiga e óleos de palma e de coco durante a pandemia, observou o comunicado, e, em vez disso, optar por carnes brancas e gorduras insaturadas encontradas em peixes, nozes, abacate e óleos de oliva, girassol ou canola.

A Malásia, o segundo maior produtor de óleo de palma depois da Indonésia, acusou a organização intergovernamental de promover alternativas ao óleo de palma e defendeu sua importância em alguns países.

“No que diz respeito às gorduras alimentares como principal fonte de calorias, a OMS, por meio de seu comunicado mais recente, voltou a cair na mesma armadilha de promover certos óleos de commodities enquanto desconsidera o óleo de palma”, disse Kalyana Sundram, CEO do Conselho de Óleo de Palma da Malásia (MPOC).

“Em países onde o consumo de gordura está abaixo das recomendações da OMS, como é o caso de grande parte da Ásia e da África, o foco em saúde é diferente. A necessidade de fornecer uma fonte confiável, sustentável e acessível de calorias para evitar a desnutrição (e o aumento da suscetibilidade a infecções) é fundamental.”

Sundram também afirmou que a OMS deveria se concentrar em produzir “ideias de gestão da saúde radicalmente diferentes” em vez de repetir “mensagens antiquadas”, informou a Reuters em sua reportagem.

O óleo de palma é amplamente utilizado como aditivo em muitos produtos alimentícios, mas a demanda caiu drasticamente após o fechamento de restaurantes devido aos lockdowns por causa do coronavírus em muitos países. A Indonésia e a Malásia também têm sido alvo de críticas de ambientalistas por substituírem florestas nativas por plantações de palmeiras.