Cidade do Cabo está à beira de ficar sem água

Os moradores estão limitados a 50 litros de água por dia, antes do corte previsto no abastecimento municipal em abril.

Prevê-se que a cidade sul-africana da Cidade do Cabo fique sem água em menos de 90 dias. A cidade vem sofrendo com uma grave escassez de água após uma seca de três anos.

Esta não é uma situação nada boa para nós e estamos todos rezando para que chova daqui para frente. – Brenda Wilkinson, Rio Largo Olive Estate

Em 18 de janeiro, a prefeita da Cidade do Cabo, Patricia de Lille, declarou que a cidade havia “chegado a um ponto sem volta” e que se previa que os suprimentos de água se esgotassem completamente. O “Dia Zero” é o dia em que as torneiras da cidade serão fechadas, quando os níveis dos reservatórios atingirem 13,5% de sua capacidade. Atualmente, estima-se que isso ocorra em 21 de abril, mas outras reportagens da mídia anunciam 16 de abril ou até mesmo 12 de abril.

Diante dessa crise sem precedentes, os 3,7 milhões de habitantes da cidade foram solicitados a limitar o uso de água a 87 litros por dia por pessoa, mas, segundo estimativas, apenas 55% da população tem respeitado essa meta, apesar da ameaça de multas pesadas. Em 1º de fevereiro, a cota foi reduzida para apenas 50 litros.

Quando as torneiras secarem, a água será racionada para 25 litros por pessoa e estará disponível apenas em pontos de distribuição espalhados pela cidade. Hospitais, escolas e outros serviços essenciais não terão o abastecimento de água cortado.

A principal fonte de água da Cidade do Cabo é a chuva e, embora a cidade tenha feito progressos na conservação da água, o governo está sendo criticado por não priorizar a identificação de fontes alternativas. Cerca de metade da água da Cidade do Cabo vem da represa Theewaterskloof, que já está com apenas 13% de sua capacidade, enquanto outros cinco reservatórios que fornecem a outra metade do abastecimento de água da cidade estão, segundo estimativas, com apenas um quarto de sua capacidade.

À medida que as tensões aumentam e as pessoas se perguntam quem é o culpado por essa catástrofe iminente, apontam-se os dedos para a responsabilidade de diferentes níveis do governo, para cidadãos descuidados que não respeitam as restrições de água, para as tendências das mudanças climáticas e até mesmo para a falibilidade dos sistemas de monitoramento meteorológico (que haviam previsto um inverno chuvoso).

A polícia foi posicionada em uma fonte natural onde as pessoas têm vindo dia e noite para encher garrafões de água para levar para casa, enquanto alguns estão ganhando dinheiro com a venda de água. Os empregadores estão elaborando planos para organizar a jornada de trabalho em turnos, de modo que os funcionários tenham algum tempo para retirar sua ração diária de água nos pontos de distribuição, o que inevitavelmente envolverá longas esperas. Nas redes sociais, os moradores estão compartilhando dicas de economia de água e detalhes sobre doações de água de outras partes do país sob a hashtag #Water4CapeTown.

À medida que o Dia Zero se aproxima, crescem as preocupações com possíveis problemas de ordem social, a perda do turismo e os efeitos negativos na agricultura.

Brenda Wilkinson, da propriedade familiar Rio Largo Olive Estate, localizada a cerca de 150 km (93 milhas) a leste da Cidade do Cabo, às margens do rio Breede, disse ao Olive Oil Times que a colheita anual deve cair 40%. “A maioria dos produtores vai se virar com 50% da água de irrigação”, especulou ela. “Há algumas áreas, no entanto, que têm água de irrigação suficiente para a safra e esperam uma boa colheita.”

Embora nem tudo esteja perdido para a safra atual, Wilkinson tem preocupações com o futuro próximo. “Precisamos ter chuvas acima da média na estação chuvosa do inverno de 2018 para reabastecer as barragens e os poços, caso contrário, o próximo ano será um desastre”, acrescentou ela. “Esta não é uma situação boa para nós e todos estamos rezando por chuva daqui para frente. Vamos superar este ano, por um triz.”

Enquanto isso, na Cidade do Cabo, a água e o tempo estão se esgotando rapidamente, à medida que a cidade permanece à beira de se tornar a primeira do mundo a ficar completamente sem água. A crise sem precedentes é um alerta preocupante para outras partes do mundo propensas à seca e um exemplo comovente do impacto muito real das mudanças climáticas.