Óleos argentinos: de cultura “plano B” a vencedores de prêmios

Na Argentina, um país onde o vinho é tão presente, o azeite de oliva extra virgem está começando a ganhar espaço.

Há um ditado muito popular nas regiões vinícolas da Argentina: “Se você não bebe vinho, então por que veio?”. Cada vez mais, a indústria local de azeite de oliva vem respondendo com uma nova frase: “Pelo azeite extravirgem!”

Nos últimos anos, tem havido um esforço conjunto para apoiar a produção e o consumo de azeite extravirgem na região, desde uma campanha de marketing patrocinada pelo governo com o slogan “Mendoza Oliva Bien” até a Rota da Azeitona, uma atração turística recém-criada onde os visitantes podem participar de visitas guiadas e degustações.
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Esses esforços têm dado frutos tanto em nível local quanto internacional. Para os visitantes, as degustações de azeite extravirgem e o turismo proporcionam uma pausa agradável no consumo, de outra forma interminável, de Malbec. E o país produz alguns dos melhores azeites do mundo: a marca Olivares La Reconquista ganhou o prêmio Best in Class na Competição Internacional de Azeite de Nova York, e a Trilogia ganhou o prêmio de Prata.

Bottles of Olivares extra virgin olive oil, labeled as 100% Argentinian, displayed against a light background.

Em Mendoza, cuja população é composta em grande parte por descendentes de italianos e espanhóis, as azeitonas e o azeite de oliva têm um lugar de longa data. As oliveiras foram plantadas ao lado dos vinhedos, de acordo com a tradição mediterrânea. Esse plantio duplo também permitiu que os agricultores locais diversificassem seus riscos. Se fosse um ano ruim para as uvas, havia sempre um plano B: a safra de azeitonas.

Mas com o azeite extravirgem ganhando destaque na região, alguns antigos vinhedos passaram a se dedicar inteiramente às azeitonas, como foi o caso da empresa Maguay. “Trabalhamos com as duas culturas até 1980”, explicou Florencia Giol, uma das três irmãs que administram a empresa sediada em Mendoza. Desde então, a Maguay começou a produzir seu próprio azeite extravirgem e a oferecer seus produtos finais a consumidores e turistas.

María Lourdes Toujas, cientista de alimentos e consultora de empresas de azeite na Argentina, no Chile e no Uruguai, também observou que até mesmo os vinhedos focados em vinhos de alta qualidade estão se aventurando na produção de azeite premium para completar suas ofertas regionais.

“É muito importante apoiar o produtor primário”, disse Lourdes Toujas. “Sem eles, não é possível obter azeites com essa qualidade e quantidade. Apoiar essa etapa da cadeia de produção é fundamental para sermos competitivos nos mercados internacionais.”

Hoje, Mendoza conta com aproximadamente 16.500 hectares plantados e 25 moinhos. As variedades utilizadas em Mendoza para a produção de azeite extravirgem são principalmente a Acauco, uma azeitona argentina, bem como a Arbequina. Frantoio, Coratina, Farga e Picual também são utilizadas, embora em menor escala. Os azeites extravirgens representam atualmente 90% da produção total e apresentam um perfil de sabor único graças ao clima ideal para o cultivo.

À medida que continua a se empenhar na produção de azeite extravirgem premium e a atrair a atenção dos turistas, a indústria do azeite e a Mendoza Oliva Bien trabalham para lembrar às pessoas os benefícios do azeite extravirgem para a saúde, um produto já arraigado na vida de sua população. E tanto para os mendocinos quanto para os turistas, comprar marcas locais está ficando mais fácil a cada dia.