Austrália comemora acordo comercial sino-americano, mas perigo espreita para os agricultores
O novo acordo favorece o crescimento econômico global em geral, mas pode levar a uma redução da participação australiana no mercado chinês.
O acordo comercial recentemente ratificado entre os EUA e a China foi recebido com satisfação pela Austrália como um sinal de confiança para os mercados globais.
“Esta é uma notícia bem-vinda. A Austrália há muito tempo vem pedindo uma redução, uma cessação da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China — ela estava prejudicando o crescimento econômico global e, por isso, saudamos o fato de que este acordo tenha sido assinado”, disse Simon Birmingham, ministro do Comércio da Austrália.
O novo pacto surgiu de forma quase inesperada após dois anos de hostilidades entre as duas partes, embora Birmingham o tenha caracterizado como “uma trégua, em vez de uma eliminação completa das tensões comerciais entre os EUA e a China”.
Nos termos do novo acordo, a China comprará bens no valor de US$ 200 bilhões dos EUA ao longo de dois anos, dos quais US$ 50 bilhões serão destinados à compra de produtos agrícolas americanos.
Os EUA, em troca, reduzirão parte das tarifas impostas sobre produtos chineses importados no valor de US$ 120 bilhões.
O ministro, no entanto, reconheceu que o acordo poderia prejudicar os agricultores de seu país, ao impor restrições aos seus negócios com o vasto mercado chinês.
Embora o ministro tenha admitido que os agricultores possam ser afetados pelo novo acordo, “vemos mais vantagens do que desvantagens devido à confiança que ele proporciona”, disse ele.
“Esperamos que a maior parte dessas compras [que a China se comprometeu a fazer de fontes americanas] ocorra como parte do crescimento da China, em vez de substituir os objetivos existentes. Esperamos que elas ocorram em áreas nas quais a Austrália não está particularmente exposta”, acrescentou.
A Austrália tem se beneficiado amplamente da guerra
comercial
entre as duas maiores economias do mundo até agora, alcançando um aumento de 30% nas exportações agrícolas para a China no último ano.