Brasil revela fraude generalizada envolvendo azeite de oliva

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil informou que 64% do azeite de oliva analisado nos últimos dois anos não atendia aos padrões de qualidade exigidos pela rotulagem.

Uma investigação realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAP) revelou uma prática generalizada de rotulagem incorreta em produtos de azeite de oliva vendidos no país, onde o consumo desse produto tem aumentado acentuadamente nos últimos anos.

O relatório do MAP confirmou que 45 marcas de azeite, das 140 analisadas nos últimos dois anos, não atendiam aos padrões de qualidade exigidos por seus rótulos.

Os maiores índices de fraude com azeite de oliva ocorreram em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e no Distrito Federal; áreas com grande número de empresas de envase. A fraude era comum entre os envasadores que importam azeite de oliva a granel, principalmente da Argentina.

A investigação expôs empresas no Paraná que comercializavam “azeite de oliva” composto por 85% de óleo de soja e 15% de óleo lampante, um tipo de óleo impróprio para consumo humano até que seja refinado.

O MAP analisou 322.329 litros de amostras de azeite coletadas em 12 estados brasileiros e constatou que 207.579 litros (64%) estavam abaixo do padrão. Entre as marcas fraudulentas estavam: Astorga, Carrefour, Almeirim e Conde de Torres.

Entre os 114.750 litros de azeite de marcas consideradas autênticas estavam Andorinha, Aro, Apolo, Borges, Belo Porto e Carrefour Discount.

O azeite abaixo do padrão foi apreendido e os fraudadores foram denunciados ao Ministério Público. Será iniciada uma investigação policial, com os infratores sujeitos a multas de até US$ 170.000.

A repressão do Brasil ao azeite falsificado foi intensificada neste mês. O MAP selecionou e coletou amostras de empresas que apresentaram irregularidades nos últimos dois anos. Na primeira semana de abril, 243.000 litros de azeite suspeito foram coletados para análise.

De acordo com Luis Rangel, secretário de Agricultura e Pecuária do MAP, os resultados revelaram a eficiência das autoridades na identificação de irregularidades e seu compromisso em impedir que azeite de oliva abaixo do padrão chegue aos consumidores.

O azeite foi analisado pelos Laboratórios Nacionais de Agricultura e Pecuária (LANAGRO) do Rio Grande do Sul e de Goiás.

O Ministério aconselhou os consumidores a suspeitarem se o azeite fosse vendido a preços abaixo do padrão e a verificarem os rótulos para ver onde o produto foi embalado.

O Brasil ainda se recupera de um escândalo envolvendo carne ocorrido no início deste ano. A investigação “A carne é fraca” revelou que carne podre estava sendo vendida como própria para consumo. A carne era tratada com produtos químicos para mascarar seu odor e melhorar sua aparência.

Autoridades foram acusadas de receber propinas em troca de fechar os olhos às violações e emitir licenças sanitárias fraudulentas e documentos falsificados. O escândalo levou muitos países a proibir as importações de carne do Brasil.