Uma colheita de azeitonas decepcionante na França

Os olivicultores franceses prevêem que a colheita de 2016 seja decepcionante, uma vez que uma grave seca assolou o país durante os meses críticos do verão.

Os produtores de azeitona franceses esperam que a colheita de 2016 seja decepcionante, já que uma grave seca assolou o país durante os meses de verão.

A Organização Meteorológica Mundial expressou preocupação em um relatório recente de que 2016 será “muito provavelmente” o ano mais quente já registrado, já que a temperatura média está 1,2 °C acima dos níveis pré-industriais, e a França obviamente não foi poupada pelo fenômeno. Cientistas afirmaram que os impactos das mudanças climáticas chegariam mais cedo e com mais intensidade, e os produtores de azeite franceses têm sofrido as consequências de um ano bastante difícil em termos de seca.

Não posso dizer agora quanto azeite vou conseguir produzir este ano, mas espero produzir um terço do habitual. — Rodolphe Serratiozo

A colheita da azeitona acaba de começar na Provença-Alpes-Costa Azul (frequentemente abreviada como PACA), a região de produção de azeitona mais importante da França. Rodolphe Serratiozo, um olivicultor de Aix-en-Provence, expressou preocupação com o que começa a parecer cada vez mais uma colheita fraca.
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“Olhe para esta árvore”, disse ele a um repórter da TF1, apontando para uma de suas oliveiras, “Normalmente conseguimos colher cerca de 15 quilos de azeitonas dela. Agora? Ficaria feliz se conseguisse 2 quilos de azeitonas dela. Não posso dizer agora quanto azeite vou conseguir produzir este ano, mas espero produzir um terço do habitual”, acrescentou.

Rodolphe Serratiozo não é o único olivicultor que foi duramente atingido pela recente seca. Laurent Rossi, supervisor de produção de azeite e proprietário de um lagar em Mouriès (cidade também localizada na região PACA), também está lidando com as consequências da seca. Quando questionado pelo site 20minutes.fr sobre como estava indo a colheita atual, ele suspirou, fez uma pausa e respondeu: “Péssima.”

Então, o que os olivicultores franceses poderiam ter feito para evitar que a seca afetasse tanto a colheita? Instalar sistemas de irrigação poderia parecer uma resposta lógica, mas, infelizmente para os produtores, esses sistemas ainda são caros. A maioria dos olivicultores franceses já está lutando para sobreviver.

A colheita medíocre deste ano é uma péssima notícia para os olivicultores, que estavam apenas se recuperando de uma colheita desastrosa em 2014, quando a mosca da azeitona atacou as oliveiras francesas, causando graves danos. 2014 foi o pior ano em termos de colheita de azeitonas em solo francês desde a famosa e desastrosa safra de 1956.

A fraca colheita deste ano gera sérios desafios financeiros para os olivicultores franceses, pois a repercussão é dupla: por um lado, eles muito provavelmente ganharão menos dinheiro com a colheita e, por outro, estão sendo colocados em uma situação difícil no que diz respeito à sua capacidade de reembolso de empréstimos.

Os consumidores franceses também expressaram preocupações com a situação.

A simples lógica econômica sugere que os preços do azeite de oliva devem subir, já que a oferta caiu significativamente em relação ao ano passado. Como a taxa de desemprego na França subiu para níveis quase históricos nos últimos anos, não há dúvida de que os consumidores franceses estarão muito atentos aos preços do azeite de oliva, já que o produto já é comparativamente caro em relação a outros óleos de cozinha.

Além disso, muitos consumidores franceses têm se perguntado se a qualidade do azeite também seria afetada. É importante observar que uma diminuição na quantidade não significa necessariamente uma diminuição na qualidade; portanto, o padrão dos azeites franceses não deve ser motivo de preocupação.

A França produz, em média, cerca de 5.000 toneladas de azeite por ano, o que representa 0,2% da oferta mundial. O cultivo de oliveiras, assim como a produção de azeite na França, concentra-se em treze departamentos, todos localizados na região PACA.