Concurso de receitas no Brasil promove o azeite espanhol

A campanha para promover o azeite espanhol em todo o Brasil é vista como uma iniciativa estratégica fundamental para conquistar a base de consumidores de um país que ainda não é dominado por um único fornecedor de azeite.

Por Daniel Williams
, colaborador do Olive Oil Times | Reportagem de Barcelona

A Interprofesional del Aceite de Oliva Español (OIA), uma organização sem fins lucrativos criada para fortalecer a posição do azeite espanhol no mercado global, acaba de lançar uma campanha diversificada para promover o azeite espanhol em todo o Brasil. Especialistas em marketing veem isso como uma jogada estratégica fundamental para conquistar a base de consumidores de um país que ainda não é dominado por um único fornecedor de azeite de oliva.

Com o apoio financeiro de produtores, envasadores, fabricantes e exportadores espanhóis, a OIA idealizou um concurso de receitas inspirado em uma das figuras literárias mais famosas da Espanha: Dom Quixote de La Mancha, de Miguel Cervantes.

OIA President Pedro Barato
Pedro Barato, presidente da OIA

O concurso, apropriadamente intitulado “As Aventuras Culinárias de Dom Quixote”, está aberto a todos os brasileiros, sendo que o único requisito é que a receita utilize uma variedade de azeite espanhol como ingrediente principal. Além disso, o concurso também desafia renomados restaurateurs a apresentarem seus cardápios mais criativos, utilizando uma combinação de ingredientes brasileiros e azeite de oliva espanhol.

A ideia por trás da campanha de marketing é introduzir ainda mais o azeite espanhol na culinária e na alimentação do quinto maior país do mundo. A campanha chegou até mesmo aos supermercados brasileiros em todo o país. A Interprofissional do Azeite de Oliva Espanhol colocou garrafas de azeite de oliva espanhol nos supermercados, acompanhadas de uma receita de bombocado, uma sobremesa tradicional brasileira. A campanha já causou grande repercussão entre os consumidores, pois promete uma versão mais saborosa da sobremesa, que também traz benefícios de saúde a longo prazo.

As campanhas promocionais não buscam apenas ganhos imediatos, mas também visam aumentar a conscientização do público sobre o azeite de oliva espanhol. Os azeites de Jaén, na Espanha, que têm sido divulgados nos folhetos dos supermercados brasileiros (Perez Arquero, Mueloliva e
La Massie), relataram um aumento de 1.000% nas vendas. Não se sabe se esses dados específicos podem
ser atribuídos às recentes campanhas de marketing. No ano passado, as exportações
de azeite de empresas espanholas para o Brasil aumentaram 11%.[1]

Os produtores espanhóis esperam dominar o mercado antes que o Brasil consiga produzir azeite de oliva suficiente para abastecer o próprio país. No início deste ano, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, de propriedade do Estado, apresentou o primeiro azeite de oliva extravirgem do Brasil, produzido a partir de azeitonas especificamente adaptadas ao clima brasileiro.[2] Esses produtores, sediados no município de Baependi, no sul do estado de Minas Gerais, plantaram 5.000 oliveiras em uma área de aproximadamente 20 hectares e prevêem produzir uma quantidade suficiente de azeitonas para a fabricação de azeite dentro de cinco anos.[3]

Apesar disso, porém, o Brasil continua sendo um grande importador de azeite espanhol, italiano e português. De acordo com o Conselho Internacional do Azeite, o Brasil importou cerca de 47.610 toneladas de azeite somente em 2009.[4]

Com isso em mente, o governo espanhol continuou a investir em iniciativas de marketing, à medida que os azeites espanhóis continuam a disputar a liderança nos mercados emergentes mundiais. No início deste mês, a Interprofesional del Aceite de Oliva Español recebeu mais 413.891 euros para dar continuidade às suas atividades promocionais no exterior.[5]

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[1] “Brasil, um mercado estratégico para o azeite espanhol”
[2] “Brasil adapta azeitonas para os trópicos”
[3] “Agricultores de Minas, no Brasil, têm grande plano para a produção de azeite”
[4] “Brasil: Importações de azeite” (PDF)
[5] “O FEGA publica os subsídios concedidos com recursos dos fundos FEAGA-FEADER”