Mais denúncias de falsificação na rotulagem “Made in Italy”
A China está inspecionando rigorosamente o azeite proveniente da Itália, enquanto a Espanha manifesta receios de uma manipulação mais ampla do mercado, na sequência de novas denúncias de fraude envolvendo o azeite italiano.
A China está inspecionando rigorosamente o azeite proveniente da Itália, enquanto a Espanha manifesta receios de uma manipulação mais ampla do mercado, na sequência de novas denúncias de fraude envolvendo o azeite italiano.
O Shanghai Daily
informou que as autoridades de controle de entrada e saída estão “inspecionando o azeite importado da Itália, depois que a federação agrícola italiana afirmou que produtores sem escrúpulos estavam misturando azeite mais barato proveniente da Grécia, Espanha, Marrocos e Tunísia e vendendo-o como azeite extravirgem de alta qualidade”.
E o jornal espanhol El País citou Clara Aguilera, ministra da Agricultura do governo regional da Andaluzia, afirmando que teme que a Itália possa estar envolvida em “manipulação, já que há muitos interesses em jogo”. Ela também apontou uma possível “estratégia” para controlar os mercados e destacou a fragilidade do setor de produção altamente fragmentado da Espanha em comparação com o forte lobby do azeite de oliva da Itália, informou o jornal.
Enquanto isso, Rafael Civantos, do sindicato de agricultores COAG na Espanha, disse que é “de conhecimento geral” que a Itália faz passar o azeite espanhol como se fosse seu porque “seus números relativos à produção, consumo e importação de azeite não batem”.

É uma questão que também causou espanto no grupo consultivo da Comissão Europeia sobre azeitonas e produtos derivados no início de 2011. A ata observa: “No que diz respeito aos números do mercado italiano, observou-se uma discrepância entre os números de produção e os números estimados de produção, sobre a qual os participantes solicitaram esclarecimentos. Além disso, foi observada e levantada uma diferença entre os números apresentados pela Comissão e o que se observa no terreno.”
E em sua matéria de última hora sobre as últimas investigações sobre o azeite italiano, o próprio jornal italiano La Repubblica questionou: “Por que, em comparação com as 250 mil toneladas de azeite que exportamos, importamos 470 mil? Para onde vão? Como são misturadas?”
É uma questão, segundo o jornal, que estava sendo investigada por agentes da alfândega italiana, detetives da brigada antifraude e pela polícia financeira, com a ajuda da Coldiretti, uma das principais organizações agrícolas do país. A investigação já havia constatado que quatro em cada cinco garrafas de azeite vendidas pela Itália contêm azeite de outros países, geralmente da Espanha, Tunísia, Grécia ou Marrocos.
O porta-voz da Coldiretti, Stefano Masini, disse que, dada a escala extraordinária da fraude, era hora de o governo “agir contra a agromáfia com novas medidas”. “Não se trata apenas de uma simples fraude de vendas, mas envolve organizações criminosas que controlam os preços e gerenciam toda a cadeia, da produção à distribuição”, afirmou.
A notícia da investigação provocou um debate internacional entre consumidores e produtores, como no jornal britânico Telegraph, que relatou: “Quatro em cada cinco garrafas de azeite ‘italiano’ estão sendo adulteradas com azeite de qualidade inferior proveniente de outros países do Mediterrâneo.”
Mas Rafael Sánchez de Puerta, presidente do grupo de trabalho sobre azeite e azeitonas de mesa do lobby agrícola da UE, Copa-Cogeca, enfatizou que a questão era mais de rotulagem do que de qualidade.
“Todos sabiam” que a Itália engarrafava e exportava mais azeite do que produzia, mas qualquer suposta fraude envolvia alegações sobre a “denominação (de origem), não sobre a qualidade” do azeite, disse ele.