Conselho da Azeitona: Aumento do consumo impulsionará a recuperação dos preços

A crise dos preços do azeite de oliva deve diminuir com o aumento do consumo nos países em desenvolvimento, afirmou hoje o Conselho Oleícola Internacional, em meio à grande atenção da mídia mundial sobre o assunto.

A atual crise dos preços do azeite irá amenizar-se, e isso se dará graças a uma campanha de promoção destinada a atrair novos consumidores, afirmou hoje o Conselho Oleícola Internacional.

Em uma rara declaração pública de seu secretariado executivo, o COI também afirmou que o problema não é estrutural, mas tem suas raízes em variáveis — como produção interna, estoques e consumo — nos países produtores, particularmente na Espanha.

A declaração, intitulada “Algumas reflexões sobre os preços atuais do azeite”, surge no momento em que a crise atrai mais atenção da mídia mundial, após uma matéria de primeira página do Financial Times em 28 de maio.

O jornal atribuiu os baixos preços ao produtor na Espanha, Itália e Grécia à queda no consumo interno – devido à crise econômica e à concorrência de óleos vegetais mais baratos –, coincidindo com uma safra excepcional na Espanha e o consequente excesso de oferta.

Em sua contribuição para o debate, o COI concordou que os produtores na Espanha, Grécia e Itália estão atualmente “recebendo um preço baixo – €1,75, €2,38 e €1,84/kg, respectivamente – pelo azeite de oliva extravirgem que produzem”. Mas vê esperança no horizonte por meio do crescimento da demanda global.

“O azeite de oliva representa aproximadamente 2% do consumo mundial de óleos vegetais, que está aumentando. À medida que as classes média e alta se expandem em vários países em desenvolvimento e se tornam cada vez mais conscientes em relação à alimentação e à saúde, é razoável pensar que a atual crise de preços não é estrutural e será amenizada por ações de promoção do azeite de oliva junto a consumidores que não estão familiarizados com ele ou que o utilizam apenas ocasionalmente”, afirmou.

Organizações como o COI e a Interprofesional del Aceite de Oliva, da Espanha, estão envolvidas em várias campanhas para aumentar o consumo de azeite tanto em novos mercados, como Estados Unidos, Brasil e China, quanto em mercados tradicionais, como Espanha e França.

Perspectivas atuais para 2011/12

Com base nos últimos dados disponíveis, o COI espera que a produção mundial de azeite aumente em 302.000 toneladas nesta safra – um aumento de 10% em relação ao ano passado. Isso significa um provável excedente global de 1 milhão de toneladas no final do ano, um aumento de 34% em relação à safra anterior.

Prevê-se que o consumo caia 6,6% na Grécia e se mantenha estável na Itália, mas aumente na Espanha – sendo esta última o principal impulsionador do crescimento esperado de 7% no consumo total da UE.

“A posição da Espanha como país com produção excedente, combinada com o fato de que a demanda está concentrada no setor de distribuição, enquanto a oferta é fragmentada, significa que quaisquer mudanças em suas variáveis tendem a ter repercussões tanto nos preços nacionais quanto nos internacionais”, afirmou o comunicado.