Chanceler alemã coloca em dúvida acordo comercial histórico entre a UE e o Mercosul

Angela Merkel teme que a redução das tarifas da União Europeia sobre alguns produtos agrícolas do Brasil acelere o desmatamento na Floresta Amazônica.

O desmatamento na Floresta Amazônica colocou em risco o histórico acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, segundo a chanceler alemã Angela Merkel.

O acordo comercial, que foi aprovado em princípio no ano passado, está passando por uma revisão jurídica na UE. Em seguida, ele deverá ser aprovado e ratificado por cada um dos 27 Estados-membros.

Um porta-voz da chanceler disse que a líder da maior economia da UE ficou com sérias dúvidas sobre a viabilidade do acordo após se reunir com ativistas ambientais.

“A posição da chanceler é que… há dúvidas significativas sobre se o acordo pode ser implementado no espírito pretendido, considerando os desenvolvimentos atuais e a terrível perda de florestas que está ocorrendo lá [no Brasil]”, disse Steffen Seibert.

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A reunião coincidiu com um anúncio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil, que informou que a taxa de desmatamento na Amazônia aumentou em mais de um terço desde agosto de 2019.

No geral, a organização estima que o desmatamento tenha aumentado em 30% desde a eleição do presidente conservador Jair Bolsonaro em 2018.

Se aprovado, o acordo comercial eliminaria barreiras tributárias e aumentaria as cotas de 90% dos produtos comercializados entre a UE e os quatro membros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Produtores e exportadores de azeite de oliva dos dois lados do Atlântico aguardavam ansiosamente a ratificação completa do acordo quando ele foi anunciado no ano passado. No entanto, a certeza de que o acordo seria aprovado por todos os 27 Estados-membros da UE diminuiu consideravelmente desde então.

Ativistas ambientais alertaram que a eliminação das tarifas sobre a carne bovina e a soja brasileiras serviria como um novo incentivo para que agricultores e pecuaristas continuassem a desmatar a Amazônia, o que é frequentemente feito por meio de queimadas controladas.

Merkel não é a primeira líder da UE a colocar em dúvida o acordo. O presidente francês Emmanuel Macron já havia questionado a viabilidade do acordo depois que milhares de incêndios florestais devastaram a Amazônia no ano passado.

O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, também sinalizou que a implementação do acordo pelo qual seu antecessor lutou tanto para aprovar não está no topo da lista de prioridades de seu governo.

O anúncio do ano passado de que um acordo havia sido alcançado entre os dois blocos comerciais foi um momento histórico e ocorreu após 20 anos de negociações. A ratificação do acordo criaria um mercado conjunto de 780 milhões de pessoas.

Apesar de alguma oposição por parte dos Estados-membros, a Comissão Europeia mantém-se firme no seu compromisso de ratificar e implementar o acordo.

“O acordo representa uma situação vantajosa tanto para a UE quanto para o Mercosul, criando oportunidades de crescimento, empregos e desenvolvimento sustentável para ambas as partes”, afirmou a Comissão.