A experiência de Portugal com a proibição de garrafinhas de azeite nos restaurantes
Em 2005, Portugal proibiu o uso de garrafas de azeite recarregáveis nos restaurantes. Agora, a União Europeia está considerando uma medida semelhante.
A Comissão Europeia está considerando proibir o uso de garrafinhas de azeite nas mesas dos restaurantes e exigir que sejam utilizadas apenas garrafas invioláveis e não recarregáveis.
Portugal introduziu essa lei em 2005, a Itália acaba de decidir seguir o exemplo e a Espanha afirma que também o fará.
O Olive Oil Times conversou com Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, a Associação Portuguesa do Azeite, sobre a experiência de seu país com essa mudança.
Qual foi o impacto, se é que houve algum, no setor do azeite em Portugal?
Foi muito importante para a imagem do azeite. No passado, muitas vezes minha refeição era estragada por ter usado, sem querer, um azeite realmente ruim, até que parei de usar o azeite servido em certos restaurantes.
Esse tipo de coisa é muito ruim para a imagem do azeite, porque afasta os consumidores de um produto que é realmente bom e, do nosso ponto de vista, só pode ser evitado com esse tipo de legislação.
Outro impacto positivo é que abriu uma nova forma de aumentar o reconhecimento da marca. As marcas investiram fortemente no design de seus próprios galheteiros e agora oferecem uma variedade de azeites, e também vinagre, neles. Isso mantém a tradição de ter esses itens na mesa para temperar a comida, mas agora acompanhados de informações adequadas ao consumidor, como o tipo de azeite (extra virgem, virgem, etc.), sua data de validade e origem.
Tudo isso é muito importante e ensina os consumidores a serem mais exigentes.
Houve alguma mudança no consumo de azeite em Portugal?
Sim, o consumo de azeite, especialmente o extra-virgem, aumentou consideravelmente, embora não apenas devido a essa lei. Há cinco anos, o consumo per capita era de cerca de 6 kg/ano e agora é superior a 8 kg/ano, e continua a aumentar.
As embalagens não recarregáveis aumentam o desperdício ambiental?
Bem, o mesmo se aplica a muitos produtos, e ninguém consideraria voltar a comprar todos os seus produtos a granel. Além disso, utiliza-se principalmente vidro, que é mais barato e mais eficiente de reciclar do que outros materiais.
As empresas criaram seus próprios frascos de marca, geralmente de 250 ml. Esse é o tamanho mais adequado, pois a garrafa não fica aberta por muito tempo, o que causaria oxidação prejudicial, reduzindo a qualidade do azeite, especialmente em ambientes quentes, o que às vezes ocorre em restaurantes.
A lei se aplica a todo o azeite utilizado no setor da hotelaria e restauração?
Não, apenas aos azeites colocados nas mesas para as pessoas temperarem a comida. Não se aplica às cozinhas de restaurantes, onde o azeite é utilizado na preparação das refeições, e em Portugal são permitidas embalagens de até 25 litros.
Qual tem sido a reação dos restaurantes?
A maioria dos restaurantes que querem se diferenciar pela qualidade e pelo cuidado com os ingredientes acolheu a medida, mas sempre que uma prática estabelecida é proibida, há alguma oposição.
Os problemas que temos atualmente em Portugal são com as autoridades de fiscalização, que não conseguem fazer cumprir a lei de forma eficaz.
O que vocês fizeram para apoiar o setor de hospitalidade?
Realizamos centenas de eventos de formação com proprietários de restaurantes, chefs e garçons para lhes fornecer informações sobre o produto e os benefícios das novas regras.
Nesses treinamentos, sugerimos que os restaurantes tratem o azeite de oliva um pouco como o vinho. Nós os incentivamos a oferecer cartas de azeite (como cartas de vinhos) para que os consumidores possam escolher entre diferentes azeites, de várias regiões e variedades de azeitona.
Isso só é possível se o azeite estiver devidamente engarrafado e rotulado, com tampas que impeçam o reabastecimento, garantindo assim que o conteúdo da garrafa seja o original e não tenha sido misturado com nenhum outro azeite. Esta última prática pode ser muito tentadora para os restaurantes, mas é extremamente prejudicial à qualidade do azeite.
Qual é o seu conselho para os países que estão considerando uma lei semelhante?
Que busquem o apoio do setor de restaurantes e hotelaria e expliquem claramente os benefícios e a diferenciação que podem resultar disso. Além disso, especialmente nos estágios iniciais, em vez de um papel de fiscalização, as autoridades de inspeção devem desempenhar um papel educativo.
O aumento dos custos é inevitável?
Em Portugal, a entrada em vigor da lei coincidiu com uma queda significativa nos preços à saída da fábrica, de modo que, na verdade, o custo diminuiu.
Mas, de acordo com nossos dados, a mudança resultaria em um aumento de custo de cerca de € 0,05 por uma garrafa de 250 ml, principalmente devido à diferença de custo entre tampas normais e não recarregáveis.
Uma garrafa de 250 ml pode servir cerca de 10 pessoas, o que significa um aumento de custo de cerca de €0,005 por pessoa para uma refeição média.
Isso nos parece muito razoável, considerando todas as vantagens, como higiene e segurança alimentar, maior qualidade e respeito ao consumidor.
Mas, com os preços de fábrica agora em alta, caso a lei seja aprovada, ela provavelmente seria injustamente culpada…
(Uma proposta sobre o uso de garrafas não recarregáveis (embalagens descartáveis) no setor HORECA (hotelaria, restauração e catering) estava na agenda da reunião de 16 de janeiro do Comitê de Gestão da Organização Comum dos Mercados Agrícolas da CE.)
- Casa do Azeite, Associação Portuguesa do Azeite
- La scomparsa dell’oliera (“O desaparecimento dos garrafões”, em italiano)
- Embalagens descartáveis no setor HORECA (hotéis, restaurantes e catering) na agenda da reunião de 16 de janeiro do Comitê de Gestão da Organização Comum dos Mercados Agrícolas da CE
