Preços ao produtor atingem o nível mais baixo desde 2009

A última rodada de armazenamento subsidiado de azeite não conseguiu impulsionar os preços, que, segundo o Conselho Oleícola Internacional, permanecem nos níveis mais baixos desde 2009.

A última rodada de retirada do mercado de azeite de oliva, subsidiada pela Comissão Europeia, não conseguiu impulsionar os preços, que, segundo o Conselho Oleícola Internacional, permanecem nos níveis mais baixos desde 2009.

De acordo com seu boletim de mercado de maio, os preços do azeite extravirgem estão 11% mais baixos na Espanha (€1,77/kg), 10% na Grécia (€1,84/kg) e 39% na Itália (€2,38/kg), em comparação com o mesmo semestre da temporada passada.

“Nos últimos meses, os preços estagnaram na Grécia e permaneceram praticamente estáveis na Espanha, enquanto apresentaram uma ligeira alta na Itália. Mesmo assim, eles estão nos níveis mais baixos desde outubro de 2009 nos três países”, afirma o COI.

Os preços do azeite refinado estão nos piores níveis das últimas três safras, e a diferença entre o preço do azeite refinado e do azeite extravirgem é agora de cerca de € 0,07/kg na Espanha e € 0,59/kg na Itália.

Mercado mundial de azeite e óleo de bagaço

Em seu boletim informativo de abril, o COI descreveu como “preocupante” o declínio nas importações de azeite e óleo de bagaço de azeitona no Canadá e na Austrália. Agora, o COI informa que as importações canadenses se recuperaram ligeiramente, embora ainda estejam 14% abaixo no período de outubro a março deste ano em comparação com o ano anterior, enquanto as importações na Austrália aumentaram 2%.

O maior importador mundial, os Estados Unidos, apresenta um aumento de apenas 1% nos primeiros seis meses da safra 2011/12, mas os números são mais promissores para a China, a Rússia e o Brasil, com crescimentos de 22%, 16% e 6%, respectivamente. No início desta semana, o COI abriu licitação para uma campanha de promoção de € 600.000 (US$ 754.000) no Japão, onde o crescimento é de 7%.

As importações para e dentro da UE também diminuíram. As primeiras caíram 15%, “o que não é surpresa, dado o volume de produção da UE nesta temporada”, afirmou o COI.

Mercado mundial de azeitonas de mesa: importações aumentam apenas no Brasil

As importações de azeitonas de mesa no período de outubro a março são menores na maioria dos países – exceto no Brasil, onde subiram 23%. Elas se mantiveram estáveis no Canadá, mas caíram 9% nos EUA, 4% na Rússia e na UE e 2% na Austrália.

Argentina: exportações de azeite aumentam, mas consumo cai

O boletim informativo deste mês destaca a Argentina, local onde serão realizadas três reuniões do COI no próximo mês. A 18ª sessão extraordinária do Conselho de Membros do COI será realizada em Buenos Aires de 2 a 6 de julho, e tanto a 39ª reunião do Comitê Consultivo do COI quanto uma reunião dos signatários do acordo de controle de qualidade ocorrerão no dia 2 de julho.

Único membro sul-americano do COI, a Argentina aderiu à organização em 2009. De acordo com documentos do Codex Alimentarius, uma das razões foi “demonstrar que os azeites argentinos são autênticos”, mesmo quando seus perfis de ácidos graxos diferem dos típicos do Mediterrâneo e não atendem aos parâmetros do COI destinados a detectar adulteração. Como alguns azeites das novas áreas de produção da Argentina apresentam baixos teores de ácido oleico e altos teores de ácido linoleico, o país vem pressionando por mudanças nos parâmetros relevantes.

O boletim informativo do COI, por sua vez, afirma que a produção de azeite de oliva aumentou acentuadamente nos últimos dez anos na Argentina, “embora mais em termos relativos do que absolutos”, já que o crescimento de 275% equivale a apenas 11.000 toneladas.

As exportações, em grande parte a granel e de grau extra-virgem, dispararam 175% em uma década. Metade vai para os EUA e 40% para o Brasil.

Mas houve uma queda na produção argentina de azeite desde que atingiu um pico de 27.000 toneladas em 2007/08, o que “provavelmente pode ser explicado, em parte, pela conversão de pomares para a produção de azeitonas de mesa”, afirmou o COI.

Enquanto o consumo interno de azeite caiu 17% nos últimos dez anos, o consumo de azeitonas de mesa disparou 180%, atingindo 35.000 toneladas na última safra, e a produção de azeitonas de mesa chegou a 250.000 toneladas. As exportações são destinadas principalmente ao Brasil.

“A Argentina oferece excelentes condições naturais para o desenvolvimento do cultivo da oliveira. Dois parâmetros podem ser usados para medir seu potencial: o crescimento exponencial no número de árvores com genética avançada e o crescimento das exportações argentinas, particularmente para os dois principais mercados, Estados Unidos e Brasil”, afirma o boletim informativo.

Retirada do azeite do mercado

A CE abriu o primeiro concurso para a última rodada de ajuda à armazenagem privada em 31 de maio e já recebeu propostas para retirar do mercado, por seis meses, um total de mais de 86.000 toneladas de azeite virgem (das quais 413 toneladas são de azeite extravirgem).

Em uma reunião do comitê da CE hoje (7 de junho), o auxílio máximo a ser pago foi fixado em 0,65 €/tonelada/dia, tendo-se levado em conta “a situação do mercado e a estrutura das propostas recebidas”, informaram fontes da CE.

Novas propostas serão aceitas até 19 de junho para elevar o total ao máximo de 100.000 toneladas.