Produtores: Preços do azeite espanhol não condizem com as condições do mercado

Os agricultores e produtores espanhóis têm enfrentado preços de venda bem abaixo dos custos de produção por duas safras consecutivas. A COAG exige agora uma investigação oficial sobre os preços, que caíram 37% desde março de 2018

Os preços do azeite espanhol caíram abaixo dos custos de produção, mesmo com o aumento da demanda, deixando os produtores perplexos e os agricultores em uma situação insustentável.

Isso mostra que há operadores que estão destruindo valor do campo à mesa. — Juan Luis Avila, COAG-Jaén

Desde março de 2018, os preços na origem caíram 37%, para US$ 2,30 por quilo, deixando os produtores a lidar com duas safras consecutivas em que os custos de produção superaram os preços de venda.

Dados oficiais do Ministério da Agricultura da Espanha mostram perdas que chegam a mais de US$ 1,2 bilhão, um valor que, segundo representantes do setor, está em desacordo com as condições atuais do mercado. Os preços caíram 15% desde março de 2019, mesmo com o aumento da demanda, o que levou os principais atores do setor espanhol a pedir medidas urgentes.

Um comunicado de imprensa da associação de agricultores Coordinadora de Organizaciones de Agricultores y Ganaderos (COAG) observou que a demanda doméstica por azeite de oliva havia aumentado 31%, a produção da última safra caiu 37,6% e as exportações continuavam em bom ritmo. Diante desses dados, afirmou a COAG, os preços deveriam ser mais altos.

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“Isso mostra que há operadores que estão destruindo valor do campo à mesa”, disse Juan Luis Avila, representante da COAG-Jaén.

A COAG está solicitando uma investigação sobre a situação pela Agência Espanhola de Informação e Controle Alimentar (AICA), pedindo que a agência governamental verifique se os contratos de venda de azeite de oliva levam em conta o custo de produção.

“É intolerável manter por mais tempo uma situação tão crítica quando há um aumento no consumo que está beneficiando todos os operadores da cadeia, exceto os olivicultores”, disse Avila.

A COAG não é a única organização preocupada com a queda de preços aparentemente injustificada. O Grupo Interóleo observou um aumento considerável no consumo de azeite em residências na Espanha e em outros países desde o início da pandemia da Covid-19 e das medidas de confinamento correspondentes.

A empresa observou em um comunicado à imprensa que os dados indicam que os preços deveriam estar subindo, e não caindo.

“É inexplicável que os preços na origem permaneçam tão baixos, ainda mais porque a produção de azeite, não apenas na Espanha, mas em todo o mundo, tem sido menor do que o esperado”, disse o presidente do Grupo Interóleo, Juan Gadeo.

Os dados mais recentes do Ministério da Agricultura mostraram que 88,9% de todo o azeite vendido está disponível para compra pelos consumidores domésticos. Em teoria, isso deveria significar que as vendas de azeite beneficiam todos os participantes da cadeia.

As empresas de embalagem e distribuição têm 1,1 milhão de toneladas de azeite estocadas para a temporada, o que lhes permite lidar melhor com os preços baixos, mas isso não se aplica aos agricultores.

Além de solicitar uma investigação sobre uma possível especulação no mercado, a COAG destacou que a iniciativa da União Europeia de regular a oferta por meio do armazenamento privado do excedente de azeite não teve os resultados esperados.

A última tentativa , que reteve 200.000 toneladas de azeite da venda por seis meses com o objetivo de ajudar na recuperação dos preços, não contribuiu muito para impulsionar os números de vendas. Para enfrentar as crescentes incertezas decorrentes da Covid-19, a COAG solicitou à União Europeia que considere financiar pelo menos mais seis meses de armazenamento privado.