O caminho para o turismo sustentável na Grécia é marcado pelo azeite
O azeite de oliva tem grande potencial para a promoção de destinos turísticos gregos e pode ser utilizado como ferramenta de desenvolvimento sustentável, observou um pesquisador.
No início dos anos 70, o setor de turismo grego cresceu exponencialmente. A magnífica combinação de mar, sol e montanhas da Grécia, aliada a uma história única, gastronomia deliciosa, boas infraestruturas aeroportuárias e um custo de vida mais baixo do que em outros países europeus, transformou esse país do sudeste do Mediterrâneo em um destino muito procurado.
O azeite de oliva pode se tornar uma forte ferramenta de marketing para garantir um turismo sustentável que não se limite aos clichês de “mar e sol”. –
Isso, por sua vez, levou a uma “industrialização” do produto turístico, já que a maioria dos destinos gregos investiu em um produto turístico do tipo “mar e sol”, segundo Alexandros Passalis, especialista em turismo e gerente do Alex Beach Hotel & Bungalows, na ilha grega de Rodes.
“Hoje em dia, isso não é suficiente. Em um período em que a concorrência estabeleceu novas regras no mercado global de turismo, o desafio para a Grécia é tornar-se um participante de sucesso no contexto do desenvolvimento do turismo sustentável. A demanda emergente por atividades turísticas de interesse especial, como agricultura e gastronomia, pode proporcionar aos destinos gregos a oportunidade de diferenciar e aprimorar seu produto turístico”, disse Passalis ao Olive Oil Times.
Em sua tese de mestrado na Escola de Turismo da Universidade de Bournemouth, que constituiu um capítulo do livro “Tourism and New Media” (Turismo e Novas Mídias) e continha uma série de estudos de caso da Itália e da Grécia, Passalis constatou que o azeite, bem como recursos turísticos de interesse específico, como o turismo gastronômico e os produtos alimentícios locais, têm grande potencial na promoção de destinos turísticos gregos e podem ser utilizados como ferramentas de desenvolvimento sustentável e uma saída para a crise econômica e social do país.
Mas o que é desenvolvimento sustentável? Para que o turismo permaneça sustentável, ele precisa abranger certas dimensões econômicas, sociais e ambientais. Em resumo, ele deve respeitar os ecossistemas locais e fazer uso otimizado dos recursos ambientais, que são elementos-chave no desenvolvimento do turismo; deve injetar renda nas economias locais e mantê-las funcionando de maneira justa, beneficiando todas as partes interessadas; e deve respeitar o patrimônio cultural e os valores tradicionais das comunidades anfitriãs, ao mesmo tempo em que promove a compreensão intercultural e a tolerância.
“É por isso que o azeite de oliva pode se tornar uma forte ferramenta de marketing para garantir um turismo sustentável que não se limite aos clichês de ‘mar e sol’”, disse Passalis, cuja pesquisa se propôs a avaliar como o azeite de oliva pode contribuir para o desenvolvimento turístico sustentável na Grécia, diferenciando e valorizando o produto turístico grego.
O pesquisador conduziu entrevistas presenciais e aprofundadas com profissionais do turismo grego. Os gerentes ou proprietários de hotéis e restaurantes que participaram do estudo foram incentivados a descrever suas experiências ao tentar promover o azeite de oliva, mencionar o que os hóspedes achavam interessante nele e fazer recomendações sobre como o produto turístico nacional poderia ser valorizado por meio do azeite de oliva. Todos os entrevistados foram convidados a descrever as barreiras na conexão entre o azeite e as experiências turísticas na Grécia e a analisar suas ideias sobre como o “Ouro Líquido” poderia se tornar uma ferramenta de desenvolvimento turístico sustentável.
De modo geral, a pesquisa concluiu que a gastronomia local é essencial, já que os viajantes modernos a consideram um veículo para explorar novas culturas, e os destinos turísticos devem encontrar maneiras de oferecer um “sabor” genuíno da região aos turistas sem sacrificar a sustentabilidade, agora mais do que nunca.

Primeiramente, constatou-se que, se atividades relacionadas ao azeite de oliva, como a colheita, forem promovidas de forma eficaz, os destinos gregos têm a oportunidade de criar demanda mesmo nas baixas temporadas e, mais importante ainda, agregar valor à experiência dos turistas (algo que está acontecendo atualmente na Espanha com o oleoturismo).
Em seguida, o estudo sugeriu que o papel do governo e das autoridades locais deveria ser utilizar o azeite como uma ferramenta de desenvolvimento sustentável, harmonizando os interesses das comunidades rurais nos destinos turísticos com o setor de turismo e o meio ambiente, e gerenciando os aspectos ecológicos, econômicos e culturais da maneira mais compatível possível.
Muitos entrevistados sugeriram a criação de “rotas do azeite”, como as da Itália, como outra forma de divulgar o azeite como produto turístico — rotas pelas quais os visitantes poderiam aprender sobre o processo de produção do azeite, sua qualidade e importância cultural.
“Todos os participantes da pesquisa concordaram que o azeite de oliva pode, de fato, diferenciar o produto turístico grego. A Grécia dedica 60% de suas terras cultiváveis ao cultivo de oliveiras e, apesar de seu pequeno tamanho, ocupa o terceiro lugar na produção mundial de azeite.”
“O azeite está indissociavelmente ligado à identidade grega; é parte integrante da dieta grega e é continuamente utilizado não apenas para suprir necessidades nutricionais, mas também para fins culturais e religiosos”, disse Passalis, cuja pesquisa estabeleceu que a conexão entre o azeite e o turismo pode de fato satisfazer todas as três dimensões do turismo sustentável.