As importações brasileiras de azeite de oliva continuam em alta
As importações brasileiras de azeite de oliva não mostram sinais de desaceleração e, embora ainda esteja em fase inicial, a produção nacional também está em ascensão.

Com o entusiasmo pela Copa do Mundo crescendo rapidamente e uma importante eleição presidencial se aproximando, parece que todos os olhos estarão voltados para o Brasil em 2014, incluindo o setor de azeite de oliva. A potência econômica da América Latina tornou-se um dos destinos de exportação de azeite de oliva que mais crescem, e no ano passado as importações do “ouro verde” atingiram 74.873,8 toneladas métricas, um aumento de 5% em relação à safra de 2011-2012.
De acordo com o Conselho Oleícola Internacional (COI), os países da UE representaram 88% dessas exportações. Portugal, que exportou 42.800 toneladas métricas para o Brasil no ano passado, ficou com a maior fatia do bolo (57%), seguido pela Espanha (25%), Itália (6%) e Grécia (1%). 12% das importações vieram da Argentina (9%), Chile (2%) e outros países (1%).
Este último grupo, que inclui Líbano, Marrocos e Tunísia, registrou alguns dos maiores crescimentos no ano passado. O Líbano, por exemplo, exportou 372% a mais de azeite para o Brasil, enquanto as exportações da Tunísia aumentaram 98%.
A demanda brasileira por azeite de oliva virgem tem crescido de forma constante nos últimos anos. Em 2002-2003, cerca de 39% das importações de azeite de oliva eram de grau virgem; em 2012-2013, essa porcentagem cresceu para 73%.
O país tem feito um esforço conjunto recentemente para aumentar o consumo de azeite de oliva em geral, independentemente do país de origem. Com a ajuda do COI, o Brasil lançou uma campanha nacional de promoção do azeite de oliva em outubro, com um orçamento proposto de US$ 1,6 milhão.
Embora ainda em fase inicial, a produção doméstica também decolou nos últimos anos. A maior parte desse crescimento está ocorrendo no estado do Rio Grande do Sul, que possui clima e tipo de solo semelhantes aos do vizinho Uruguai, outro país com enorme potencial como produtor e exportador de azeite de oliva.
De acordo com Rogério Oliveira Jorge, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a produtividade do solo no Rio Grande do Sul é comparável à dos países europeus, gerando cerca de 1.500 litros por hectare. Ele reconheceu, no entanto, que a maioria das oliveiras é bastante jovem e não atingirá seu pleno potencial por alguns anos.
Até mesmo o governo brasileiro está apostando na produção nacional, incluindo verbas para o setor no Plano de Safra do ano passado. Ele também concordou em colaborar com a Embrapa no desenvolvimento de um laboratório de testes de qualidade que seguirá os padrões internacionais.

De acordo com Caio Rocha, do Departamento de Desenvolvimento Agrícola e Cooperativo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil planeja reduzir as importações de azeite em 30% em quatro anos, tornando-se mais autossuficiente. Ele disse que o crescimento constante do mercado de importação comprova que a demanda existe.
“Somos grandes importadores de azeite. Importamos US$ 316 milhões em azeite, US$ 121 milhões em azeitonas, e a região sul possui clima e solo adequados para o cultivo de azeitonas”, disse Rocha.
Daniel Aued, da Olivas do Sul, um dos principais produtores brasileiros de azeite extravirgem, está confiante na qualidade dos azeites produzidos no Rio Grande do Sul, onde sua empresa produziu 22.000 litros em 2012. Ele acredita que os azeites brasileiros podem competir com os importados, que se beneficiam de preços baixos e do marketing, enfatizando a qualidade e o frescor.
“[O azeite importado] fica de três a quatro anos em tambores, enquanto um bom azeite de oliva deve ser consumido no ano da colheita”, disse ele.