Setor de azeite da Espanha lança ambicioso projeto de pesquisa sobre a Xylella
A Xylella fastidiosa representa uma grave preocupação para o setor oleícola espanhol, e o seu órgão interprofissional está apoiando os esforços de pesquisa para combatê-la.
A Associação Interprofissional do Azeite de Espanha estabeleceu uma parceria com várias instituições para levar a cabo um ambicioso projeto de pesquisa que estudará como controlar e erradicar a Xylella fastidiosa, um patógeno emergente que se tornou uma das principais preocupações do setor do azeite.
O Instituto Nacional de Investigação e Tecnologia Agroalimentar (INIA) da Espanha está colaborando com a Interprofissional nesse esforço.
O INIA atua como elo de ligação entre vários grupos de pesquisa que investigam a Xylella fastidiosa. Isso resultou na abertura de seis novas linhas de pesquisa que abordam o problema sob diversos ângulos, com o objetivo de desenvolver uma estratégia integrada capaz de oferecer uma resposta abrangente para minimizar os riscos que o patógeno representa para os olivais da Espanha.
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Esta abordagem abrangente propõe gerar conhecimento sobre o comportamento da Xylella fastidiosa, suas variáveis, a propagação por meio de vetores e o controle dos insetos responsáveis por sua disseminação, a fim de conceber estratégias eficazes que possam deter sua expansão. Isso inclui a identificação das variedades de oliveiras que parecem ser mais tolerantes ou resistentes à Xylella.
A Xylella fastidiosa é disseminada por insetos que se alimentam do xilema das plantas. Ela se multiplica dentro do sistema vascular a ponto de obstruí-lo e impedir o fluxo da seiva bruta, composta principalmente por água e sais minerais, provocando sintomas relacionados ao estresse hídrico e à falta de nutrientes que variam do murchamento até a morte da planta.
Diferentes tipos de plantas, principalmente espécies lenhosas como oliveiras, nogueiras, cafeeiros ou amendoeiras, podem hospedar a Xylella fastidiosa, uma bactéria com muitos genótipos que se manifesta de forma diferente dependendo da planta hospedeira. Ainda não foram identificados tratamentos eficazes, exceto o controle e a erradicação das plantas infectadas e dos insetos que a propagam. Isso torna a Xylella fastidiosa uma ameaça muito imprevisível, sem mencionar que também é difícil isolá-la e reproduzi-la em laboratórios, o que torna sua investigação um desafio.
As seis linhas de investigação do projeto de pesquisa de três anos e as instituições responsáveis são:
- Análise de riscos com base no comportamento regional da Xylella fastidiosa em diferentes zonas de olivais por toda a Espanha, considerando diferentes climas, variedades de oliveira e sistemas de cultivo. Isso ajudará a criar guias para otimizar programas de erradicação e o controle de vetores potenciais (Instituto de Investigações Agrárias de Valência – IVIA).
- Diagnóstico, estrutura genética e plantas hospedeiras da Xylella fastidiosa encontrada na Espanha, principalmente em áreas com oliveiras, para desenvolver novas técnicas de diagnóstico (Conselho Superior de Investigação Científica – CSIC).
- Patogênese dos genótipos de Xylella isolados na Espanha, com o objetivo de compreender melhor os efeitos das infecções na oliveira e seu grau de agressividade (Universidade de Gerona).
- Caracterização do processo infeccioso e da forma como cada genótipo de Xylella atua nas principais variedades de oliveiras e oliveiras silvestres, com vista à criação de um banco de germoplasma de oliveiras e à exploração do comportamento de cada variedade in situ (Instituto de Investigação Agroambiental e de Economia da Água (INAGEA) da Universidade das Ilhas Baleares.)
- Biologia e ecologia de vetores potenciais transmissores da Xylella fastidiosa para determinar seu papel na epidemiologia e no controle da doença em oliveiras (Instituto de Investigação e Tecnologia Agroalimentar (IRTA).
- Bases científicas para a transmissão e propagação de doenças causadas pela Xylella fastidiosa em oliveiras (Instituto de Investigação e Formação em Produção Agrária, Pesqueira, Alimentar e Ecológica da Junta de Andaluzia (IFAPA).
Na Europa, a Xylella fastidiosa surgiu pela primeira vez em 2013 no sul da Itália, onde se revelou muito difícil de controlar. Na Espanha, foi detectada pela primeira vez em 2017 nas Ilhas Baleares, onde sua presença em olivais foi identificada em Maiorca, Menorca e, principalmente, em Ibiza.
Alicante foi a primeira província da Espanha continental onde a Xylella foi identificada, em junho de 2017. Em abril de 2018, a Xylella fastidiosa foi identificada pela primeira vez em oliveiras na Espanha continental, em Madri, onde trezentas árvores foram eliminadas. De acordo com Blanca Landa, uma das maiores especialistas espanholas em Xylella, esses surtos não parecem estar relacionados.
Teresa Pérez, gerente da Interprofissional, afirmou que a organização sempre demonstrou um forte compromisso com o avanço da inovação em todas as áreas em que o conhecimento é fundamental para o setor de azeite de oliva da Espanha.
“Em média, 11% do nosso orçamento é dedicado a P&D”, disse Pérez ao Olive Oil Times, acrescentando que a Xylella tem sido uma prioridade para o setor de azeite de oliva da Espanha e a razão pela qual a Interprofissional vinha buscando, há algum tempo, projetos de pesquisa sólidos como este.