Oliveiros espanhóis estão substituindo árvores centenárias por árvores jovens

A agricultura intensiva da oliveira em todo o mundo levou os olivicultores espanhóis a derrubar árvores centenárias para se manterem competitivos.

Em uma tentativa de reduzir custos e adotar a agricultura de alta densidade, os olivicultores espanhóis estão derrubando e vendendo árvores mais velhas como plantas ornamentais ou lenha.

A medida surge como resultado da crescente concorrência proveniente de fora do Mediterrâneo, onde técnicas modernas e árvores mais jovens e produtivas estão ameaçando o status quo.

Os olivicultores estão cada vez mais conscientes de que nosso futuro está na diferenciação de nossos azeites e na transmissão aos consumidores dos impactos sociais e ambientais que estão em jogo por trás de cada litro de azeite.– Cristóbal Cano, secretário-geral da União dos Pequenos Agricultores e Pecuaristas

“É uma pena o que está acontecendo com essas oliveiras centenárias, mas tenho que cortá-las para passar para a agricultura intensiva”, disse Juan Antonio Galindo, proprietário de uma fazenda perto de Sevilha. “Essas azeitonas me custaram 68 euros por quilo e, na agricultura intensiva, o custo é de 15 euros. A diferença é enorme.”

Estima-se que 70% das pequenas propriedades de oliva na Espanha não consigam cobrir seus custos.

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De acordo com Rafael Pico Lapuente, diretor executivo da Associação Espanhola de Exportação, Indústria e Comércio de Azeite (Asoliva), mais de dois terços dos produtores espanhóis de azeite são pequenas propriedades que muitas vezes dependem de métodos agrícolas tradicionais.

Ele acredita que haverá uma reestruturação desses olivais para acompanhar mercados como a Austrália e os Estados Unidos, onde a olivicultura intensiva está aumentando. No entanto, ainda não se sabe quando e como isso ocorrerá em maior escala na Espanha.

“Não é a maioria que está arrancando oliveiras centenárias para praticar a agricultura intensiva”, disse Cristóbal Cano, secretário-geral da União Espanhola de Pequenos Agricultores e Pecuaristas, acrescentando que muitos estão valorizando essas árvores antigas e a história por trás delas.

“Acredito que os olivicultores estão cada vez mais conscientes de que nosso futuro está na diferenciação de nossos azeites e na transmissão aos consumidores dos impactos sociais e ambientais que estão em jogo por trás de cada litro de azeite”, acrescentou.

A situação é semelhante na Itália, onde as oliveiras mais antigas são predominantes e os pequenos produtores de azeite são a norma, com 97% das empresas de olivicultura pertencendo a pessoas físicas. O futuro dos pequenos produtores de azeite em todo o mundo estará na qualidade de seus produtos e na valorização, por parte dos consumidores, dos métodos tradicionais de cultivo.