Tunísia prevê uma safra excepcional de azeitonas

Uma temporada de sucesso seria um raio de esperança para o país norte-africano, que se viu mergulhado em um clima de grande instabilidade política devido ao recente falecimento do presidente Beji Caid Essebsi.

O Ministério da Agricultura da Tunísia previu que a produção de azeite atingirá 350 mil toneladas nesta safra. Se essa previsão se confirmar, a Tunísia poderá se tornar, pela segunda vez, o segundo maior produtor mundial de azeite, atrás apenas da Espanha.

A safra de azeitonas 2019/20, que terá início em novembro, parece promissora. — Chokri Bayoudh, CEO do Conselho Nacional de Azeite da Tunísia

Em uma coletiva de imprensa organizada pelo Ministério da Agricultura, Recursos Hídricos e Pesca na última sexta-feira, Chokri Bayoudh, CEO do Conselho Nacional do Azeite (ONH), afirmou: “a safra de azeitonas 2019/20, que terá início em novembro, parece promissora”. Ele também deu a entender que, com base em indicadores preliminares, a colheita de azeitonas poderia superar a média anual do país.

Bayoudh anunciou que a produção de azeite da Tunísia atingiu 140.000 toneladas durante a safra 2018/2019, com as exportações representando 117.000 toneladas e gerando uma receita de cerca de 1,58 bilhão de dinares (US$ 550 milhões).

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Ele também falou sobre as medidas preventivas tomadas pela ONH contra pragas da oliveira em preparação para a safra, que incluíram o tratamento de dois milhões de mudas. Acrescentou que uma próxima reunião da ONH se concentraria nas medidas necessárias para uma colheita bem-sucedida e se focaria em formas de melhorar o controle de qualidade do azeite, regulamentar ainda mais o mercado e facilitar o acesso a financiamentos para produtores e exportadores.

Bayoudh reconheceu os esforços do governo para apoiar a indústria de azeite da Tunísia. Entre eles, o plantio de milhões de oliveiras em uma iniciativa para manter a posição da Tunísia como um dos principais países produtores de azeite do mundo.

A falta de mão de obra para a colheita da azeitona durante a temporada relativamente curta da Tunísia (novembro a março) foi citada por Bayoudh como um dos principais desafios do país.




Uma safra abundante de azeitonas seria um raio de esperança para o país norte-africano, que foi lançado em um estado de turbulência política intensificada pela recente morte de seu presidente de 92 anos, Beji Caid Essebsi, que foi o primeiro presidente democraticamente eleito do país.

Essebsi organizou a conferência “Tunisia 2020” em seu 90º aniversário, numa tentativa de recuperar o investimento internacional, que despencou quando empresas estrangeiras deixaram a Tunísia em massa como resultado dos frequentes protestos e ocupações que se seguiram à Revolução de Jasmim de 2011.

A Tunísia 2020 concentrou-se na captação de recursos para dois grandes projetos de azeite, buscando investimentos para o plantio de mais de 10.000 hectares (24.710 acres) de oliveiras e a construção de modernas unidades de processamento e embalagem, o que criaria empregos tão necessários em algumas das regiões mais carentes do país.

Em 2017/18, a Tunísia produziu 280.000 toneladas de azeite, um aumento de 180% em relação à produção desanimadora do ano anterior, que havia caído 55%, para meras 180.000 toneladas, com exportações totalizando apenas 70.000 toneladas.

Em 2014, a Tunísia foi classificada pela primeira vez como o segundo maior país produtor de azeite do mundo, após uma safra abundante de 340.000 toneladas, o que representou um aumento de 485% em relação à produção do ano anterior.