As tarifas dos EUA sobre o azeite italiano não aumentarão, por enquanto

Os italianos aplaudem a decisão, enquanto autoridades comerciais dos EUA alertam que uma futura revisão poderá abranger produtos que não foram incluídos desta vez.

O azeite de alta qualidade, assim como o vinho e vários outros produtos típicos e renomados da agricultura italiana, podem ser importados para os EUA sem que sejam aplicadas novas tarifas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Insistimos para manter a excelência agrícola italiana fora do caso Airbus e nossa preocupação foi recebida com compreensão atenciosa. — Teresa Bellanova, Ministra da Agricultura da Itália

“Os produtos mais relevantes da indústria agrícola italiana não serão sujeitos a novas tarifas impostas pelo governo dos EUA sobre produtos europeus após a decisão da OMC sobre a controvérsia Boeing-Airbus”, confirmou o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, há poucas horas, após a última rodada de negociações entre Washington e Roma.

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Não serão impostas alterações em um sistema tarifário que, nos últimos meses, já afetou a maioria das exportações europeias. Embora vários queijos típicos produzidos e exportados pela Itália ainda estejam sujeitos a essas tarifas, de 25% ad valorem, o azeite, o vinho e as massas italianas não o estarão, pelo menos nos próximos meses.

Espera-se que o USTR analise a cada poucos meses as tarifas impostas em outubro passado, de modo que a revisão de fevereiro esteve no centro de muitas mesas de negociação em meio a preocupações de vários países europeus de que fossem afetados.

Nesta última nota do USTR, o Representante explicou que os Estados Unidos estão “aumentando a alíquota adicional imposta sobre aeronaves importadas da UE de 10% para 15%, a partir de 18 de março de 2020, e fazendo algumas outras pequenas modificações”. Essas modificações se limitam à suspensão das tarifas sobre o suco de ameixa europeu e à imposição de novas tarifas sobre algumas facas de cozinha francesas e alemãs.

Embora autoridades comerciais dos EUA alertem que uma futura decisão sobre tarifas possa envolver produtos que não foram incluídos nesta última revisão, os italianos parecem confiantes de que seus produtos agrícolas mais relevantes continuarão a ser poupados.

“Nas muitas reuniões que tivemos com nossos homólogos americanos nos últimos meses”, disse o subsecretário de Agricultura italiano, Ivan Scalfarotto, “tivemos a oportunidade de esclarecer que a Itália não faz parte do consórcio da Airbus, que está no centro da decisão da OMC, e que, portanto, nossos produtos não devem ser considerados por Washington para a retaliação tarifária que a decisão da OMC tornou legal.”

O USTR revisará o esquema tarifário atual em agosto próximo. “Nossos produtos agrícolas mais relevantes não sofrerão danos irreparáveis”, afirmou a ministra da Agricultura da Itália, Teresa Bellanova. “Na reunião que tivemos com o secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, no último dia 30 de janeiro, em Roma, insistimos para que a excelência agrícola italiana fosse mantida fora do caso Airbus, e nossa preocupação foi recebida com compreensão.”