Restaurantes na Grécia demoram a adotar novas regras para o serviço de azeite
Seis meses após a entrada em vigor da nova regra que proíbe garrafas recarregáveis, os restaurantes que a aplicam ainda são uma exceção.
As novas regras na Grécia, que entraram em vigor em janeiro de 2018, visam impedir que os donos de restaurantes sirvam azeite em recipientes reutilizáveis que, em alguns casos, contêm azeites de qualidade inferior.
A qualidade do azeite, assim como a forma de comunicá-la, é fundamental. —
De acordo com as novas regras, o azeite deve ser servido em garrafas seladas, assim como o vinho, para ser aberto à mesa.
Mas será que vai funcionar?
Embora ainda esteja em fase inicial, há sinais de que as regras foram adotadas por vários restaurantes, mas não por uma maioria significativa.
A medida teve sucesso na medida em que os galheteiros de azeite foram retirados da maioria das mesas, mas esse foi o passo mais fácil. A maioria dos restaurantes reluta em aplicar a nova regra porque ela aumenta os custos, ao mesmo tempo em que eles tentam reduzi-los em meio à crise financeira.
De acordo com Ioannis Kouzoupis, proprietário do restaurante Elia e Tsipouro e vice-presidente da Federação Pan-helênica de Restaurantes e Profissões Associadas (EPESE), a nova medida aumenta consideravelmente o preço do azeite. “Infelizmente, temos que cobrar pelas garrafas seladas de azeite, cujo preço começa em cerca de 1 euro por 50 ml – o que é absurdo se levarmos em conta que o azeite é parte essencial da dieta e um alimento básico”, disse ele.
A prova dos problemas que a nova medida traz, segundo Kouzoupis, é o fato de que os consumidores consideram a garrafa lacrada muito cara e não a compram. “Vendi muito poucas garrafas desde o início do ano, apenas cerca de 10.”
Nikos Koutouzis, proprietário do restaurante “Kentrikon”, concordou: “Não vendi mais do que 100 garrafas de azeite de marca desde janeiro, enquanto que, levando em conta o faturamento do restaurante, eu deveria ter vendido 100 garrafas por semana.”
O papel fundamental do restaurateur
O principal objetivo da nova regra sobre o uso obrigatório de azeite de marca à mesa nos restaurantes, que foi uma exigência da Associação Grega de Indústrias e Processadores de Azeite (SEVITEL) e acordada pela Federação de Restaurantes, não é aumentar a demanda por azeite de marca, mas melhorar a imagem do azeite grego perante os consumidores, especialmente os turistas.
Na promoção do azeite de marca, o papel que os restauradores desempenham é crucial, segundo Tasos Dimas, coproprietário da rede de restaurantes Tzitzikas e Mermigas, pois a forma de apresentação influencia significativamente o cliente de maneira positiva.
“A qualidade do azeite, bem como a forma de comunicá-la, é crucial. O restaurateur deve ter um bom conhecimento da matéria-prima e ser capaz de apreciar suas qualidades antes de poder ajudar o cliente a ter uma experiência culinária mais rica”, disse Dimas.
A empresa de Dimas e algumas outras já haviam adotado voluntariamente a garrafa de azeite selada e não recarregável antes que seu uso se tornasse obrigatório pela nova regra. “Um produto considerado o ouro líquido da Grécia deve ser divulgado de todas as formas. É uma pena que algo que já deveríamos ter feito por conta própria seja tratado como uma obrigação legal.”
“Ou seja, estamos encarando a nova regulamentação para garrafas seladas de azeite de oliva em restaurantes da mesma forma que a proibição do fumo, a lei que tornou obrigatório o uso do cinto de segurança ou do capacete”, disse Dimas, que criou uma marca própria para as garrafas de azeite de oliva em seu restaurante.
Quanto ao custo de sua garrafa selada de azeite, Dimas reconhece que é alto, mas explica que optou por não repassar esse custo aos consumidores. “É uma decisão difícil, em tempos difíceis. A resposta do público é muito positiva, especialmente em nosso restaurante na Praça Sindagma, no centro de Atenas, onde o público é composto principalmente por turistas. Os clientes já começaram a pedir a garrafinha de azeite por conta própria.”