A “ecologização” da química do azeite de oliva

As preocupações com a segurança e o meio ambiente impulsionam os esforços atuais para adotar novos métodos que exijam menos produtos químicos ou que utilizem produtos químicos menos perigosos de manusear e armazenar.

Durante um almoço com alguns produtores de azeite, surgiu o tema dos métodos de análise baseados no infravermelho próximo (NIR), como alternativa aos procedimentos laboratoriais padrão de “química úmida”. Os participantes da mesa expressaram descrença em relação aos resultados do NIR. Na opinião deles, esses métodos não substituíam os procedimentos laboratoriais tradicionais.

Caiu então sobre mim, gerente de um laboratório que não utiliza NIR, a tarefa de rebater esse argumento, defendendo que os procedimentos analíticos NIR têm valor e benefícios que devem ser reconhecidos: rapidez, aliada à facilidade de uso, respeito ao meio ambiente e custos mais baixos.

De modo geral, os clientes dos laboratórios não têm consciência do lixo que os laboratórios químicos geram, nem dos cuidados necessários para o manuseio e armazenamento de produtos químicos inflamáveis e perigosos. É exatamente isso que as fábricas de processamento de alimentos e óleo devem evitar. Ao implementar o controle de qualidade com métodos baseados em NIR, que não requerem produtos químicos, essas fábricas reduzem substancialmente a exposição a riscos.

Preocupações com a segurança e o meio ambiente impulsionam os esforços atuais para mudar para novos métodos que exijam menos produtos químicos ou que utilizem produtos químicos menos perigosos para manuseio e armazenamento.

Essa “ecologização” dos métodos laboratoriais foi tema recentemente discutido na reunião de químicos do Conselho Oleícola Internacional (COI) em Madri. Os métodos mais antigos que utilizam solventes prejudiciais à saúde, como o hexano, podem ser atualizados com o uso de solventes menos perigosos, como o isooctano? (Observe que ainda são gerados resíduos químicos, mas o risco geral diminui.)

Existem inúmeros exemplos de ecologização no mundo dos laboratórios e do diagnóstico. Na década de 90, os laboratórios de biologia molecular substituíram as técnicas baseadas em isótopos radioativos pela detecção quimioluminescente. Nossos dentistas agora utilizam raios-X digitais que dispensam solventes para o revelamento de filmes. Da mesma forma, nossas câmeras digitais eliminam a necessidade de produtos químicos no processamento de filmes.

Além disso, com o desenvolvimento de novos microensaios, os testes de química do azeite poderiam ser miniaturizados a uma escala em que, em vez de centenas de mililitros de solventes, bastariam apenas alguns. Vamos ficar atentos para ver até onde o COI irá nessa trajetória ecológica. Todos nós nos beneficiaremos de seus esforços.



Liliana Scarafia é diretora da Agbiolab, um laboratório independente que auxilia olivicultores, moinhos e processadores na produção de azeite de oliva de qualidade.