Aluno do 7º ano descobre substância química com propriedades anticancerígenas no chá verde
A curiosidade intelectual de um aluno do ensino fundamental levou a um experimento realizado em casa que demonstrou que um antioxidante presente no chá verde é promissor para a prevenção do câncer.
O mundo pode estar um passo mais perto de encontrar uma cura para o câncer — graças ao trabalho de um projeto científico realizado por uma criança de 12 anos. Stephen Litt, aluno do 7º ano da Geórgia, descobriu que um composto presente no chá verde prevenia o câncer em um tipo de platelminto.
A comunidade científica conhece o EGCG, mas ninguém havia conseguido obter esses resultados em nenhum tipo de sistema vivo. —
O projeto de Stephen começou quando duas amigas da família foram diagnosticadas com câncer de mama. Depois de ler sobre a doença, ele descobriu que a menor incidência de câncer no Japão está associada aos antioxidantes presentes no chá verde.
Esse conhecimento serviu de motivação para seu experimento, que visava testar a hipótese de que um polifenol presente no chá poderia suprimir o desenvolvimento de tumores em vermes expostos a carcinógenos.
Primeiro, Stephen e seu pai, Lesley Litt, compraram os materiais pela internet para montar um laboratório caseiro improvisado. Em seguida, o adolescente deu início ao projeto de quatro semanas dividindo 100 planárias, um tipo de verme achatado, em quatro grupos.
Um grupo foi exposto apenas a um composto chamado epigalocatequina-3-galato (EGCG), enquanto um segundo grupo foi exposto ao EGCG por 24 horas, seguido de contato com dois agentes cancerígenos pelo restante do estudo. O terceiro grupo foi exposto aos dois carcinógenos sem o EGCG, e o quarto grupo serviu como grupo de controle, sendo exposto apenas à água de nascente.
Os agentes cancerígenos escolhidos para o projeto foram o sulfato de cádmio e o 12-O-tetradecanoilforbol-13-acetato, ou TPA. O pai de Stephen, um químico, misturou-os ele mesmo para evitar que seu filho tivesse contato com os agentes perigosos.
As planárias foram selecionadas porque contêm neoblastos, um tipo de célula-tronco que age de maneira semelhante às células cancerosas. Stephen formulou a teoria de que impedir o funcionamento normal dos neoblastos poderia levar a uma possível cura para o câncer.

Stephen Litt
Usando um microscópio que ganhou dos avós, Stephen documentou cuidadosamente os resultados e descobriu que as planárias expostas tanto ao EGCG quanto aos carcinógenos não desenvolveram nenhum tumor durante o período de intervenção. Por outro lado, todas as planárias expostas apenas aos carcinógenos desenvolveram tumores. O projeto ganhou prêmios de ciências em nível local e estadual.
Em uma entrevista ao Olive Oil Times, Stephen e seu pai compartilharam suas reflexões sobre a experiência. “Eu não esperava que minha hipótese original funcionasse, então os resultados me deixaram aliviado e incrivelmente feliz”, disse Stephen.
“No começo, fiquei um pouco cético em relação às descobertas. É muito raro obter um resultado tão contundente em um estudo”, disse o Sr. Litt. “Ele fez algo que ninguém mais jamais fez. A comunidade científica conhece o EGCG, mas ninguém conseguiu obter esses resultados em nenhum tipo de sistema vivo.
“Como o estudo se limitou a quatro semanas, não sabemos se as planárias teriam desenvolvido tumores posteriormente. No entanto, o fato de não ter ocorrido formação de tumores nesse período é notável.”
Então, o que exatamente motiva esse aspirante a cientista? Ele é um adolescente versátil, ativo nos Escoteiros e com destaque no karatê, no tênis e na prática do oboé. No entanto, talvez seja sua curiosidade intelectual que mais o diferencie. Essa característica, sem dúvida, o preparará para um futuro brilhante na pesquisa, caso ele decida seguir essa carreira.
“Stephen se informa sobre as coisas e quer descobrir como elas funcionam. Isso é basicamente o que é a pesquisa”, disse Lesley Litt.
O que vem a seguir na agenda do adolescente? “Ele quer transplantar células de câncer de mama humano ou fragmentos de tumores em vermes e testar os efeitos do EGCG neles”, disse Litt. Aguardamos ansiosamente os resultados do próximo projeto de pesquisa de Stephen.