Europa limita o uso de gorduras trans em alimentos

A medida é amplamente vista como um passo positivo rumo à eliminação total das gorduras trans até 2023.

Os alimentos com um teor de gordura trans industrial superior a 2% não podem mais ser comercializados na União Europeia, de acordo com um novo regulamento da Comissão Europeia.

As gorduras trans – ou ácidos graxos trans – são gorduras insaturadas com ligações duplas carbono-carbono. Geralmente são um subproduto da hidrogenação parcial de óleos vegetais e de peixe e ocorrem naturalmente em alimentos como laticínios e algumas carnes de vaca, cabra e ovelha.

A ingestão de gorduras trans é responsável por aproximadamente 500.000 mortes prematuras por doença cardíaca coronariana a cada ano em todo o mundo.– Organização Mundial da Saúde, 

“Elas são amplamente reconhecidas como o tipo mais prejudicial de gordura alimentar em termos de peso, e seu efeito nocivo sobre as doenças cardíacas não é mais contestado”, escreveu a Rede Europeia do Coração (EHN) em um artigo de 2015.

De acordo com a organização sediada em Bruxelas, as gorduras trans aumentam o risco de doenças cardíacas em cerca de 25% para cada 2% do consumo energético proveniente delas.

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“Em outras palavras, cada grama extra de ácidos graxos trans consumida por dia aumentará o risco de ataque cardíaco ou doença cardíaca em cerca de 5%”, afirmou a EHN.

O Regulamento (UE) 2019/649 entrou em vigor em 1º de abril e não se aplica a alimentos com gorduras trans de origem natural. As novas medidas afetarão principalmente margarina, lanches embalados e doces.

De acordo com a Aliança Europeia de Saúde Pública (EPHA), o novo regulamento deve ser considerado um primeiro passo para o bloco de 27 membros. A medida está parcialmente em conformidade com a iniciativa REPLACE da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar as gorduras trans produzidas industrialmente até 2023.

“A ingestão de gorduras trans é responsável por aproximadamente 500.000 mortes prematuras por doença cardíaca coronariana a cada ano em todo o mundo”, afirmou a OMS.

A Assitol, Associação da Indústria Italiana de Azeite, afirmou que é improvável que a nova regulamentação prejudique o setor, já que a maioria dos produtos que contêm azeite, como alguns temperos e molhos para salada, já está abaixo do limite de 2%.

“Esses resultados são fruto do código de autorregulação que a Assitol promoveu dentro da União Europeia, envolvendo os principais produtores do setor”, disse Giuseppe Allocca, presidente do departamento de temperos da Assitol, ao Il Mattino.

Em seu plano, a OMS também dedicou um capítulo inteiro às alternativas às gorduras trans para os produtores de alimentos. A organização supranacional afirmou que o azeite de oliva e o óleo de amendoim estão entre as opções mais saudáveis, mas também são mais caros. A OMS acrescentou que os óleos de colza, soja ou girassol com alto teor de ácido oleico são alternativas menos saudáveis, mas mais econômicas.

Vários países da UE já avançaram com a regulamentação para limitar a presença de gorduras trans nos alimentos processados.

Iniciativas semelhantes foram tomadas na Califórnia, no Canadá, em Nova York, na Suíça e na Tailândia.

Muitos países da Ásia e da África estão atrasados no que diz respeito à substituição das gorduras trans.