Os microrganismos presentes no azeite de oliva extravirgem podem levar a novas aplicações
Os microrganismos encontrados em baixas concentrações no azeite de oliva extravirgem podem abrir novas possibilidades na biotecnologia.
Embora se saiba que diversos microrganismos se desenvolvem no azeite de oliva extravirgem, muitos deles permaneceram desconhecidos até agora, e alguns podem levar a melhores práticas de produção de azeite e ao desenvolvimento de novos tipos de produtos.
Uma nova pesquisa realizada por uma equipe de microbiologistas da Universidade de Sassari, na Sardenha, descreveu o azeite extravirgem como um rico reservatório de biodiversidade bacteriana. Entre os usos potenciais desses microrganismos estão a criação de alimentos enriquecidos com probióticos e produtos de biotecnologia agrícola.
O azeite extravirgem é um ambiente extremo; as bactérias que vivem nele poderiam facilmente sobreviver em outros lugares, o que significa que poderiam ser adotadas em diversos campos de aplicação. —
“Observamos várias espécies de microrganismos no azeite extravirgem e descobrimos que sua qualidade e quantidade variam de variedade para variedade”, disse Serevino Zara, um dos nove pesquisadores envolvidos no estudo, ao Olive Oil Times.
Os pesquisadores examinaram as bactérias presentes no azeite produzido em ambiente controlado a partir de 15 variedades diferentes de oliveiras, entre elas Frantoio, Coratina, Bosana e Semidana.
Veja também: Notícias de pesquisaEmbora pesquisas anteriores tenham estudado a presença de bactérias, sua concentração costumava estar abaixo dos limites de detecção por métodos de cultura padrão. Com a adoção de novas técnicas, os cientistas agora são capazes de avaliar essas concentrações de bactérias.
“Como esperado, encontramos menos espécies diferentes de bactérias em azeites ricos em polifenóis devido às suas propriedades antibacterianas”, disse Zara. “O azeite extravirgem é um ambiente extremo; as bactérias que vivem nele poderiam facilmente sobreviver em outros lugares, o que significa que poderiam ser adotadas em diversos campos de aplicação.”
Ele acrescentou que o processo de produção do azeite afeta a quantidade e a variedade de bactérias no produto final.
“Primeiro, procuramos os microrganismos nas azeitonas, depois nas etapas seguintes do processo de transformação e, por fim, no azeite produzido”, explicou Zara.
A quantidade de bactérias detectadas diminuiu após cada etapa do processo, mas vários tipos de microrganismos ainda prosperavam no produto final.
Entre as aplicações previsíveis para a pesquisa está o uso dos probióticos encontrados nas amostras. Isso sugere a possibilidade de produzir uma nova linha de produtos, incluindo azeite de oliva extravirgem probiótico, que poderia atrair aqueles que costumam recorrer a laticínios probióticos.
“Outros microrganismos encontrados no azeite extravirgem poderiam dar origem a novas biotecnologias mais eficientes para operações de restauração ambiental, tanto em terra quanto no mar, devido à sua capacidade de digerir óleos industriais e transformá-los em compostos que podem ser absorvidos pelo meio ambiente sem causar danos adicionais”, disse Zara.
Os pesquisadores também encontraram algumas evidências de resistência aos antibióticos em algumas bactérias, um fenômeno natural que foi investigado devido à relevância do assunto para a saúde pública.
A concentração bacteriana no azeite extravirgem destinado ao consumo é tão baixa que não representa qualquer tipo de ameaça à saúde humana, mas as características específicas dos microrganismos nessas baixas concentrações poderiam ser usadas para desenvolver novas biotecnologias.
“Vários microrganismos poderiam ser utilizados de forma produtiva como indutores de crescimento vegetal, por exemplo, e, nesse caso, é bastante relevante compreender como eles poderiam afetar o produto biotecnológico e as próprias plantas”, concluiu Zara, sugerindo que eram necessárias mais pesquisas sobre as bactérias do azeite de oliva extravirgem.