Trocar o óleo de coco pelo azeite de oliva pode ser bom para o coração

O óleo de coco é tão prejudicial quanto a gordura bovina e a manteiga, de acordo com uma nova pesquisa da Associação Americana do Coração.

O óleo de coco é tão prejudicial quanto a gordura bovina e a manteiga, de acordo com uma nova pesquisa da Associação Americana do Coração.

Frequentemente vendido como um produto alimentício saudável, o óleo de coco é promovido como tendo um teor de gordura que é melhor para as pessoas do que outras gorduras saturadas. A AHA, no entanto, afirma que não há estudos confiáveis que apoiem tal alegação. Na verdade, o óleo de coco é rico em gordura saturada que pode aumentar o chamado colesterol “ruim”, de acordo com o estudo.

Pesquisas científicas apoiam de forma esmagadora a limitação da gordura saturada na dieta para prevenir doenças do coração e dos vasos sanguíneos. — Frank Sacks, American Heart Association

A pesquisa mostrou que 82% da gordura do óleo de coco é saturada. Isso é mais do que a quantidade encontrada na manteiga, 63%, e na gordura bovina, 50%. Uma dieta rica em gorduras saturadas pode elevar o nível de colesterol de lipoproteína de baixa densidade no sangue. Isso pode resultar em artérias obstruídas e aumento do risco de doenças cardíacas.

“Queremos esclarecer por que pesquisas científicas bem conduzidas apoiam de forma esmagadora a limitação da gordura saturada na dieta para prevenir doenças do coração e dos vasos sanguíneos”, disse Frank Sacks, principal autor do relatório.

O relatório da AHA também indicou que substituir o óleo de coco por alternativas como azeite de oliva e óleo de girassol pode ajudar a reduzir os níveis de colesterol e o risco de doenças cardíacas tanto quanto o tratamento com estatinas.

Evidências de ensaios clínicos randomizados e controlados sugeriram que a substituição da gordura saturada por óleo vegetal insaturado reduziu a chance de doenças cardiovasculares em 30%. O efeito foi semelhante aos resultados alcançados por medicamentos para baixar o colesterol.

A organização recomenda reduzir ao máximo a ingestão de gorduras saturadas.

“As gorduras saturadas podem aumentar o risco de ataques cardíacos, derrames e outras doenças dos vasos sanguíneos”, disse Sacks.

As gorduras saturadas são normalmente encontradas na carne, em laticínios integrais e em óleos tropicais, como o óleo de coco e o óleo de palma.

As orientações de saúde sobre quais tipos de gorduras são bons para o consumo podem, às vezes, ser confusas. Gorduras animais, como as encontradas na manteiga e na banha, são consideradas ruins, enquanto óleos vegetais, como o azeite de oliva e o óleo de girassol, são vistos como opções saudáveis. Essa sabedoria se baseia no teor de gordura saturada e na ideia de que as gorduras saturadas são ruins.

“Alimentar-se bem para a saúde do coração não significa apenas reduzir a gordura, mas reduzir tipos específicos de gordura e ter cuidado com o que os substitui, como gorduras insaturadas e grãos integrais, em vez de açúcares e carboidratos refinados”, disse Victoria Taylor, da British Heart Foundation, à BBC.

“Qualquer mudança deve ser vista no contexto de uma abordagem alimentar integral. A dieta mediterrânea tradicional traz benefícios para uma série de fatores de risco para doenças cardíacas, não apenas para os níveis de colesterol.

“Recomendamos substituir as gorduras saturadas da dieta por gorduras insaturadas, como usar óleos em vez de manteiga e escolher alimentos como abacate, peixes oleosos, nozes e sementes, em vez de alimentos ricos em gorduras saturadas, como bolos, biscoitos, chocolate e carnes gordurosas.”