Duas plantas do Mediterrâneo podem ajudar a combater os sintomas da doença de Alzheimer e do mal de Parkinson

O figo da Índia e as algas marinhas marrons melhoraram os sintomas da doença de Alzheimer e do mal de Parkinson em testes de laboratório realizados com levedura de cerveja e moscas-da-fruta.

Estima-se que cerca de 44 milhões de pessoas tenham Alzheimer em todo o mundo. O custo global da doença de Alzheimer e da demência chega a US$ 605 bilhões, o que equivale a 1% do produto interno bruto (PIB) mundial. Só nos EUA, a doença de Alzheimer continua sendo a sexta principal causa de morte, com os portadores perdendo progressivamente o senso de identidade à medida que todas as suas habilidades cognitivas básicas declinam, até que talvez nem consigam mais realizar tarefas rotineiras.

Por outro lado, a doença de Parkinson, embora não seja tão fatal quanto o Alzheimer, causa tremores, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural em 6,3 milhões de pessoas em todo o mundo. As pessoas podem precisar de uma cadeira de rodas ou ficar acamadas com o avanço da doença.

A evolução dotou as plantas de substâncias químicas para garantir sua sobrevivência. Portanto, faz sentido que os seres humanos busquem inspiração na natureza para combater doenças. — Ruben J. Cauchi, Pesquisador

Tanto a doença de Alzheimer quanto a de Parkinson são classificadas como distúrbios de início tardio que compartilham uma característica comum: são causadas pelo acúmulo de aglomerados de proteínas viscosas que prejudicam o sistema nervoso ao longo do tempo, afetando a mobilidade ou os mecanismos de memória.

As curas para as duas doenças têm se mostrado difíceis de encontrar, levando os pesquisadores a pensar fora da caixa. Agora, dois grupos de Malta e da França descobriram que a flora mediterrânea pode ser uma aliada na luta contra as doenças neurodegenerativas.

Cientistas da Universidade de Malta e do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS/Universidade de Bordeaux), que há muito vêm analisando plantas nativas da bacia do Mediterrâneo em busca de pequenas moléculas que interfiram na formação de agregados proteicos tóxicos, acabam de descobrir que duas plantas mediterrâneas, a figo-da-índia e a alga marrom, podem melhorar os sintomas do Alzheimer e do Parkinson.

“A maioria das doenças neurodegenerativas é caracterizada pelo acúmulo de aglomerados de proteínas pegajosas que são tóxicas para o cérebro”, afirmou Ruben J. Cauchi, professor sênior do Departamento de Fisiologia e Bioquímica da Universidade de Malta e principal autor do estudo publicado na edição de janeiro da revista Neuroscience Letters.

“Descobrimos que tanto o figo da Índia quanto a alga marrom contêm substâncias químicas que tornam os aglomerados de proteínas menos tóxicos, aliviando assim os sintomas da doença”, disse Cauchi ao Olive Oil Times.

A equipe de pesquisa realizou primeiro testes para determinar o efeito dos extratos vegetais sobre leveduras de cerveja repletas de aglomerados de proteína beta-amilóide, típicos da doença de Alzheimer. Após receberem os compostos vegetais, a saúde das leveduras melhorou, e os cientistas consideraram que o próximo passo lógico seria avaliar os compostos em moscas-das-frutas geneticamente modificadas para desenvolver sintomas de Alzheimer.

Quando as moscas-das-frutas foram tratadas apenas com extrato de algas marinhas, elas excederam sua expectativa de vida média em dois dias. Quando receberam extrato de figo-da-índia, suas vidas foram prolongadas por mais quatro dias. Levando em conta que um dia na vida de uma mosca-das-frutas equivale a um ano em humanos, os resultados foram significativos, com até mesmo a mobilidade das moscas-das-frutas melhorando em cerca de 18% após o tratamento.

Além dos aglomerados da proteína beta-amilóide, a equipe descobriu que os extratos de figo da Índia e de algas marrons interferiram na agregação da proteína alfa-sinucleína, uma proteína pegajosa indicativa do Parkinson: as substâncias derivadas de plantas prolongaram a expectativa de vida das moscas com cérebros carregados de alfa-sinucleína ao produzir aglomerados menos tóxicos para os neurônios, assim como fizeram no caso dos aglomerados de beta-amilóide.

Alga marrom

Alga marrom

“Ainda não sabemos a natureza exata dessas substâncias químicas, mas esperamos descobrir em breve”, disse Cauchi. “O que sabemos é que as substâncias químicas que estudamos são atualmente incorporadas em suplementos nutricionais tomados por atletas para reduzir o estresse, bem como em cosméticos, incluindo cremes antienvelhecimento. Nossos resultados ampliam as propriedades benéficas das substâncias químicas derivadas tanto do figo da Índia quanto das algas marrons.”

O próximo passo é verificar se os resultados são confirmados em ensaios clínicos.

“A evolução dotou as plantas de substâncias químicas para garantir sua sobrevivência. Portanto, faz sentido que os seres humanos busquem inspiração na natureza para combater doenças”, disse o pesquisador. Uma inspiração que o Mediterrâneo pode incutir não apenas em poetas e turistas, mas cada vez mais também em pioneiros da ciência.