Entre as colinas rochosas do Brasil, a Azeite Pedregais produz azeites premiados

Na acidentada Serra do Sudeste, no Brasil, a Azeite Pedregais transforma terrenos rochosos e ventos implacáveis em azeites extravirgens premiados.

Alguns dos melhores azeites do mundo são produzidos no Brasil, entre os pedregais — os característicos afloramentos rochosos que se erguem na paisagem da bela Serra do Sudeste, na região mais ao sul do Rio Grande do Sul.

Este antigo planalto, a mais de 400 metros acima do nível do mar, é o berço dos premiados azeites extravirgens da Azeite Pedregais.

Os azeites extravirgens da empresa conquistaram mais dois prêmios na Competição Mundial de Azeite NYIOOC 2025, edição do Hemisfério Sul. Apenas nos últimos quatro anos, a Azeite Pedregais recebeu onze prêmios em Nova York — nove deles de ouro.

A nossa é uma paisagem maravilhosa; a sua formação remonta ao período Pré-Cambriano, há 4,6 bilhões de anos. Era um planalto que sofreu erosão ao longo do tempo”, disse Flavo Fernandes, coproprietário da Azeite Pedregais, em entrevista ao Olive Oil Times.

Portanto, nosso solo é pedregoso e granítico, o que favorece a drenagem. Nossas áreas de plantio estão localizadas em encostas de declive suave, e ainda preservamos muitas áreas florestais ao redor dos olivais”, acrescentou.

Aninhada entre os afloramentos rochosos da Serra do Sudeste, no Brasil, a Azeite Pedregais produz azeites premiados, moldados por solos pedregosos, ventos constantes e paixão pela natureza.

Aninhada entre os afloramentos rochosos da Serra do Sudeste, no Brasil, a Azeite Pedregais produz azeites premiados, moldados por solos pedregosos, ventos constantes e paixão pela natureza.

Fernandes e sua esposa, Mirella Meirelles — ambos médicos —, decidiram dedicar-se ao cultivo de oliveiras por um desejo de se reconectar com a natureza após um estágio em Salamanca, na Espanha, onde aprenderam mais sobre o azeite.

Em 2017, o casal encontrou uma área adequada para plantar suas oliveiras, selecionando variedades conhecidas por sua resiliência e qualidade de produção. “Também nos arriscamos com duas cultivares que não eram muito comuns, Frantoio e Manzanilla, e não plantamos Arbosana, que aqui requer muitos cuidados e sofre com a umidade”, explicou Fernandes. Nesta região, a umidade pode se tornar bastante intensa em certas épocas do ano.”

Com o tempo, suas atividades de olivicultura se expandiram por três áreas distintas, cada uma exigindo uma abordagem específica de cultivo e enriquecendo a diversidade da produção. Alguns desses olivais ainda estão em estágios iniciais de desenvolvimento.

O primeiro e principal olival, que chamamos de Pioneiro, foi plantado usando um sistema de camalhões, no qual as árvores são elevadas acima do nível do solo”, disse Fernandes. Esse sistema melhora a drenagem, mas também pode agravar os efeitos de secas extremas. Nós também passamos por algumas delas”, observou ele.

O pomar principal produz a maior parte das azeitonas da fazenda, com cultivares como Koroneiki, Arbequina, Picual, Frantoio, Pendolino e Manzanilla.

Os outros dois olivais foram plantados em 2020, após várias temporadas de experiência. Em junho de 2020, quando plantamos os outros dois olivais, não utilizamos a técnica de sulcos, pois aprendemos que não era necessária”, disse Fernandes.

Um dos pomares recebeu o nome de Tapera, uma palavra portuguesa que evoca com nostalgia a restauração de uma antiga fazenda, relembrando o passado do campo. Lá — e na terceira parcela, Poente (“Oeste”) — a equipe plantou outras cultivares conhecidas, como Galega e Coratina. Esperamos que nossas primeiras azeitonas Coratina estejam prontas em 2026”, acrescentou Fernandes.

Uma das carac­terísticas de­finidoras da região é o vento, que às vezes pode se tor­nar extremo. O vento é uma carac­terística con­stan­te da nossa região, às vezes soprando con­tin­u­a­mente por vários dias”, disse Fernandes. As práticas de man­uten­ção devem ser adapta­das de acordo com isso.

Com algumas cultivares, como Manzanilla e Coratina, amarramos os galhos das árvores ao solo para alcançar a forma produtiva ideal e evitar que os galhos e troncos sejam muito danificados pelo atrito constante”, explicou ele. Essa prática se estende por vários anos durante o amadurecimento das árvores e tem se mostrado essencial para seu desenvolvimento adequado.

Devido ao vento, a poda também é planejada levando em conta a circulação do ar. “Sempre direcionamos os galhos para os lados, e não para cima, para que não sofram constantemente com o efeito de vela. Galhos com menor volume foliar e comprimento também são menos afetados pelo vento”, disse ele.

Colhendo azeitonas entre as colinas rochosas da Serra do Sudeste, no Brasil, a Azeite Pedregais combina cultivo cuidadoso e respeito pela natureza.

Colhendo azeitonas entre as colinas rochosas da Serra do Sudeste, no Brasil, a Azeite Pedregais combina cultivo cuidadoso e respeito pela natureza.

A fazenda também cria ovelhas de raças locais valorizadas, cujo estrume serve como fertilizante natural. Além disso, de forma bastante pitoresca, há muitos capivaras selvagens em nossos olivais. Elas mantêm a vegetação baixa e fertilizam grandes áreas do plantio”, explicou Fernandes. Esses capivaras se estabeleceram perto das lagoas, se reproduziram e ficaram. É uma visão bastante incomum na paisagem de olivais — grupos de capivaras andando para cima e para baixo com seus filhotes.”

Para a moagem, a Azeite Pedregais tem parceria com a Fazenda Sabiá, uma renomada produtora cujos azeites também ganharam prêmios de ouro em Nova York. Eles são nossos parceiros desde o início, e sabemos como é importante ter o apoio de uma marca tão reconhecida”, disse Fernandes.

No Brasil, nem todos os produtores estão localizados perto de moinhos de azeite. O nosso fica a uma curta distância, o que permite que a prensagem ocorra quase imediatamente após a colheita”, observou ele.

Segundo Fernandes, a produção e o cultivo de azeite ainda são relativamente novos na região. Os desafios continuam evoluindo”, disse ele. Contamos com a experiência dos agricultores locais, de outros produtores sul-americanos e europeus.” Esse conhecimento deve então ser adaptado às condições climáticas, pluviométricas e do solo locais.

Por essas razões, não podemos simplesmente contratar um profissional totalmente treinado — temos que formar os nossos próprios”, acrescentou. Felizmente, nossa cidade tem uma escola técnica agrícola que oferece aos jovens treinamento em olivicultura, o que é muito importante.”

Para este produtor brasileiro de alta qualidade, o próximo passo é investir no oleoturismo — tanto para promover o azeite extravirgem, ainda novo para a maioria dos consumidores, quanto para diversificar as fontes de renda. “Em breve ofereceremos visitas e degustações na Fazenda Santa Joana D’Arc, onde temos nossos olivais, tanques de armazenamento de aço inoxidável e uma loja”, disse Fernandes.

Outras propriedades da nossa região, ao longo da mesma estrada, também oferecerão experiências de oleoturismo, o que será muito importante para todos”, acrescentou. É uma área de desenvolvimento que deve ser sempre colaborativa, envolvendo não apenas os produtores de azeite, mas também os fabricantes de outros produtos locais da nossa região.”