Besouro pode representar nova ameaça às oliveiras

Pesquisadores descobriram que as oliveiras são a única espécie de árvore que não pertence ao gênero Fraxinus (freixo) vulnerável ao ataque do besouro invasor “Emerald Ash Borer”, com consequências potencialmente devastadoras.

Uma equipe de pesquisadores da Wright State University, em Ohio, descobriu que o besouro invasor esmeralda do freixo (EAB) é capaz de completar seu ciclo de vida em oliveiras, tornando-as a segunda espécie oficial de planta — além do freixo — que pode servir de hospedeira para o inseto. Embora o EAB anteriormente representasse uma ameaça apenas para florestas e paisagens, essa descoberta mais recente revela que ele poderia ter consequências negativas para as oliveiras caso ocorresse uma invasão.

A pesquisa sobre a capacidade do EAB de se estabelecer na oliveira cultivada (ou Olea europaea) foi liderada por Don Cipollini, professor de fisiologia vegetal e ecologia química da Universidade Estadual de Wright.

Os resultados foram publicados no Journal of Economic Entomology. O estudo se baseia em pesquisas anteriores iniciadas em 2014, nas quais a equipe investigou os ataques do besouro ao fringetree branco (Chionanthus virginicus), que é um parente do freixo.

As oliveiras cultivadas são parentes próximas do Chionanthus virginicus e são conhecidas por crescerem em áreas onde freixos suscetíveis foram cultivados e cresceram. Em estudos iniciais, foram realizados testes na árvore utilizando ovos do besouro do freixo (EAB) provenientes de insetos sem exposição prévia à oliveira ou à árvore-de-franjas-branca, a fim de revelar o verdadeiro potencial inato do EAB de utilizar hospedeiros alternativos sem ter uma vantagem adaptativa.

No presente estudo, os pesquisadores utilizaram a cultivar Manzanilla de oliveira e colocaram os ovos diretamente nos caules cortados. Descobriu-se que as larvas eram capazes de se alimentar e crescer até a fase adulta na árvore, embora não no mesmo nível observado na maioria dos freixos norte-americanos ou na árvore-de-franjas-branca.

Os resultados revelaram que a gama potencial de hospedeiros do EAB é mais ampla do que se pensava anteriormente e, se o inseto for capaz de detectar e utilizar oliveiras, ele poderia dar o salto para se tornar uma praga dessa cultura. Como as oliveiras já são vulneráveis a vários patógenos e insetos, isso poderia torná-las ainda mais vulneráveis ao EAB. Isso aumentaria a probabilidade de sua propagação e persistência.

De acordo com Cipollini, o fato de o EAB se tornar uma praga da oliveira exigiria medidas sérias de todas as partes envolvidas. “Se o EAB conseguir detectar e utilizar oliveiras no campo, isso poderá ter consequências negativas para o crescimento e a produtividade das oliveiras. Será necessário estabelecer protocolos de tratamento e manejo para isso”, afirmou ele.

“Se o EAB não atacar as oliveiras na ausência de freixos na área, a remoção dos freixos passa a fazer parte de uma estratégia de manejo. As oliveiras são tratadas quimicamente contra algumas pragas. Se for necessário um tratamento com pesticida específico para o EAB, muitos dos pesticidas sistêmicos usados contra o EAB em freixos ficariam descartados, e outros tratamentos não sistêmicos terão que ser otimizados. Se as oliveiras puderem de fato servir como hospedeiras no campo, haveria também importantes implicações regulatórias.”

Cipollini disse que sua equipe está atualmente repetindo o estudo com várias outras cultivares. Eles também estão explorando a atração do besouro-do-freixo adulto e sua disposição para depositar ovos em oliveiras, o uso do tecido floemático pelas larvas e as defesas da árvore contra elas, além de verificar se o besouro-do-freixo pode ou não completar sua maturação sexual alimentando-se exclusivamente de folhas de oliveira.

No entanto, ele ressaltou que influências genéticas e ambientais poderiam afetar a vulnerabilidade da oliveira ao EAB e que eram necessários mais testes sobre as interações entre o EAB e as oliveiras cultivadas comercialmente.