A praga continua a ameaçar as plantações de oliveira na Itália

Uma infecção bacteriana generalizada já destruiu milhares de oliveiras em toda a região da Apúlia, na Itália.

O cigarrinha-dos-prados está entre as pragas transmissoras da bactéria Xylella fastidiosa na Itália (Foto: NC State Parks).

Primeiro a seca, agora a praga. Uma infecção bacteriana generalizada já destruiu milhares de oliveiras em toda a região de Puglia, na Itália, com previsão de que os números aumentem drasticamente, agravando os efeitos econômicos das secas na Espanha e na Califórnia.

A bactéria Xylella fastidiosa, transmitida por insetos, infectou árvores em 74.000 acres na Puglia, que constitui o “calcanhar” da Itália, no sul. São produzidas 11 milhões de toneladas métricas de azeitonas por ano na região, representando 1/3 da safra nacional, tornando-a a região produtora de azeite de oliva mais importante da Itália.

Os agricultores têm recorrido à queima de suas árvores — algumas das quais com quase 500 anos — na tentativa de conter a propagação da infecção. Muitos temem que os preços do azeite de oliva em lugares como os Estados Unidos — onde o azeite produzido na Itália detém 51% da participação de mercado — disparem na esteira da crise.

“Os preços subirão de 30% a 40% porque haverá menos azeitonas e, portanto, menos azeite produzido”, disse Raffaele Piano, um produtor de azeitonas da Apúlia, à Agence France-Press.

Somente a perda de árvores custou à região 250 milhões de euros (330 milhões de dólares). À medida que os efeitos econômicos da praga continuam a se agravar, as autoridades elaboraram planos para controlar a propagação da doença.

“A doença continua a se espalhar devido às temperaturas do verão e temos que tomar as medidas certas”, disse Angelo Corsetti, porta-voz da organização agrícola nacional Coldiretti. “Haverá um verdadeiro cordão sanitário de 8.000 hectares onde será obrigatório destruir as árvores”, afirmou.

A zona de isolamento de 1,6 km de largura se estenderá da costa do Adriático, a leste, até a costa do Jônico, a oeste, em uma tentativa de conter a praga, que faz com que as árvores sequem e deixem de dar frutos. Dentro da área, a vegetação será aparada e pesticidas serão pulverizados para controlar a população de insetos que transportam a bactéria. Existem 800.000 árvores dentro da área a ser isolada, com cerca de metade delas infectadas neste momento.

Um decreto de emergência que prevê € 3,5 milhões (US$ 4,6 milhões) em fundos e determina que agricultores e autoridades tomem medidas deve entrar em vigor em 27 de agosto. Alguns criticam a demora na ação, apontando para o fato de que a crise surgiu enquanto muitos italianos estavam nas tradicionais férias de um mês durante agosto.

“A Xylella não sai de férias”, disse Gianni Cantele, da Coldiretti, a organização agrícola nacional.