Agricultores recorrem à justiça na disputa pelas árvores de Salento

Os produtores de azeitona do sul da Itália, onde um surto da Xylella fastidiosa levou a um grande abate de árvores, estão buscando assessoria jurídica para contestar a posição da União Europeia quanto ao combate à doença.

Os olivicultores do sul da Itália, onde um surto da Xylella fastidiosa levou a um grande abate de árvores e à proibição do plantio de novas, estão buscando assessoria jurídica para verificar se podem contestar a posição da União Europeia quanto ao combate à doença.

Os produtores de azeitona da região de Salento estão em pé de guerra há algum tempo, enquanto a União Europeia lida com a doença que, segundo ela, poderia ameaçar as plantações de azeitona em toda a Europa se não fosse devidamente contida.

Como parte do processo, árvores foram arrancadas do solo e novos plantios estão estritamente proibidos, para grande consternação dos moradores locais.

Não ter a liberdade de plantar novas árvores é uma sentença de morte para o território. – Aliança dos Fabricantes de Azeite

Mas agora, um grupo formado por produtores italianos e outros atores do setor de azeite, a Voz da Aliança dos Fabricantes de Azeite, está reagindo.

De acordo com um comunicado de imprensa na página do Facebook da organização, representantes estão se reunindo com advogados para verificar se é possível entrar com uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia.

O grupo alega que Paolo De Castro, um político italiano e membro da comissão de agricultura e desenvolvimento rural da UE, está errado e que forçar a proibição de novos plantios é injusto para com o Salento.

“Para revogar a proibição de replantio, estamos prontos para recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia, pois se trata de uma medida injusta para com o Salento, que não é eficaz no combate à bactéria”, afirmou o grupo.

“Nos próximos dias, a associação participará da primeira reunião com advogados nesta ‘batalha pela sobrevivência de Salento’.”

A associação prosseguiu afirmando que a paisagem, as culturas e as tradições do Salento estão em risco e que medidas devem ser tomadas para proteger a histórica indústria de azeite da região.

Não ter a liberdade de plantar novas árvores é uma “sentença de morte para o território”, acrescentou o grupo.

Cuidado carinhoso – não abate

Enquanto isso, o site Xylella Report informou que outro projeto está, ao contrário, focado no cuidado com algumas das árvores mais antigas da região, em um novo ensaio experimental para combater o que eles descrevem como a síndrome CoDiRo.

Isso é algo que os moradores do Salento conhecem empiricamente há cerca de uma década e insistem que se trata de um conjunto de sintomas (não uma doença) que faz com que as árvores sequem rapidamente e não é a mesma coisa que a Xylella fastidiosa.

O estudo envolve árvores observadas por pesquisadores da Universidade de Foggia e tratadas com métodos orgânicos, e é liderado pelo presidente provincial da Copagri, uma organização que representa os agricultores.

Fabio Ingrosso disse ao Xylella Report: “As oliveiras que apresentavam sinais da síndrome estão respondendo bem. E só se passaram dois meses. Estamos apenas no terceiro tratamento e já observamos uma melhora significativa.

“Nosso objetivo não é curar a Xylella, mas fortalecer as árvores – enfraquecidas por anos de uso de produtos químicos – para nutrir o solo e restaurar a matéria orgânica, de modo que as árvores respondam mesmo na presença da bactéria”, disse Ingrosso, segundo a reportagem.

Ele também afirmou que a principal razão para a pesquisa é identificar quais produtos permitirão que as oliveiras retornem ao seu estado adequado de vegetação e ressalta que o experimento está utilizando produtos de baixo ou nenhum impacto, rotulados como fertilizantes, bioestimulantes ou produtos já aceitos na agricultura orgânica.

Além do coração da produção de azeite italiano, outro surto de Xylella fastidiosa foi registrado na ilha francesa da Córsega.