A busca pela perfeição da Finca La Torre em Málaga

A Finca La Torre conquistou seis medalhas de ouro e dois prêmios de “Melhor da Categoria” no Concurso Internacional de Azeite de Nova York. “Enquanto a maioria dos produtores colhe muito tarde, nós apostamos em uma colheita bem precoce”, explicou Víctor Pérez, diretor da empresa.

Situada logo ao sul de Jaén e Córdoba, não é de se admirar que a província de Málaga, no sul da Espanha, possa ter ficado um pouco ofuscada. Pelo menos no que diz respeito ao azeite. Mas num recanto, no norte da província, as coisas estão mudando.

Por quatro anos consecutivos, a Finca la Torre foi escolhida como a melhor produtora de azeite extravirgem orgânico da Espanha pelo Ministério da Agricultura do país.

Há outro caminho que se pode seguir, que é a aposta na qualidade. Não produzir grandes quantidades, mas chegar até ao fim. Até ao consumidor. — Víctor Pérez, Finca La Torre

Esta propriedade perto de Antequera, a apenas 50 km do interior da capital provincial, ganhou mais de 30 prêmios nos últimos cinco anos, incluindo seis medalhas de ouro e dois prêmios de Melhor da Categoria no prestigiado Concurso Internacional de Azeite de Nova York.

“Em Málaga, há a vantagem de existirem diferentes climas. Assim, há uma diversidade muito importante em termos de variedades de azeitonas”, disse Víctor Pérez, engenheiro e diretor desta empresa de propriedade suíça.

A parte norte da província, onde a Finca La Torre está situada, é uma área seca com alguma influência mediterrânea. É aqui que começa o “mar de oliveiras” — que se estende para o norte até Jaén.

Ao sul da província, mais perto do mar, a paisagem torna-se mais montanhosa e úmida.

“Dependendo do território em que nos encontramos, poderemos degustar tipos de azeites muito diferentes. Portanto, a riqueza de variedades aqui é muito mais importante do que em outras regiões”, disse Pérez ao Olive Oil Times.

Víctor Pérez (Foto de Pablo Esparza)

Víctor Pérez (Foto de Pablo Esparza)

Do alto de uma colina onde trabalhadores podavam as oliveiras após a colheita, Pérez apontou para diferentes áreas da propriedade. Antigos olivais tradicionais se alternam com árvores recém-plantadas, pastagens e florestas. Pérez destacou a importância desse ecossistema diversificado.

“Temos cerca de 380 hectares. Destes, apenas 230 são dedicados às oliveiras. O restante é floresta. Combinamos oliveiras com gado. Isso desempenha um papel importante, pois ajuda tanto no controle de ervas daninhas quanto na fertilização.”

Toda a produção, disse ele, é certificada como biodinâmica e orgânica, e as 34.000 oliveiras da propriedade apresentam uma variedade de espécies locais.

“Aproximadamente 50% dos 230 hectares são ocupados por oliveiras tradicionais da variedade Hojiblanca, com 130 anos de idade. Também temos 100 hectares de olivais intensivos onde cultivamos quatro variedades diferentes: Hojiblanca, Arbequina, Picudo e Cornicabra”, explicou Pérez.

Quando questionado sobre as razões do recente sucesso dos azeites da Finca la Torres, ele acrescentou:

“Nos especializamos muito mais na comercialização de azeite de oliva de alta qualidade. Somos uma empresa que possui produção própria e também apostamos em uma mudança de filosofia. Enquanto a maioria dos agricultores colhe muito tarde, apostamos em uma colheita bem precoce.”

Twisted olive trees stand in a lush green field under a cloudy blue sky.

Málaga fica bem atrás dos gigantes espanhóis do azeite em termos de produção. Ainda assim, esta província andaluza ocupa o quinto lugar entre as regiões produtoras de azeite do país, logo atrás de Jaén, Córdoba, Granada e Sevilha.

Em 2015-16, Málaga — que abriga mais de 22.000 olivicultores — produziu 75.000 toneladas de azeite. Pode estar longe das 600.000 toneladas de Jaén, que responde por cerca de 20% da produção mundial, mas não é um número desprezível.

No entanto, além da quantidade, as coisas estão mudando no cenário do azeite de Málaga. E isso está começando a se espalhar para além da Finca la Torre.

“Acho que fomos pioneiros nisso”, disse Pérez, “no sentido de que os produtores ao seu redor veem que você é capaz de ganhar o Prêmio Foods of Spain nos últimos anos e também reconhecimento internacional.”

“Isso abre caminho para outras formas de encarar a produção de azeite: não apenas a típica produção em massa. Não. Há outro caminho que se pode seguir, que é a aposta na qualidade. Não produzir grandes quantidades, mas chegar até o fim. Até o consumidor.”

“Muitos produtores estão aderindo a essa filosofia”, garantiu Pérez.