Azeitonas cultivadas em altitudes elevadas apresentam maior teor de antioxidantes

Um estudo constatou uma relação positiva entre a altitude e os níveis de CoQ10, tocoferóis e compostos fenólicos.

Um novo estudo associa a altitude em que as azeitonas são cultivadas a importantes benefícios para a saúde.

O estudo constatou uma relação positiva entre a altitude e os níveis de CoQ10, tocoferóis e compostos fenólicos — sendo que as azeitonas cultivadas em altitudes mais elevadas apresentam concentrações mais elevadas desses três compostos químicos.

Houve uma influência significativa dos parâmetros climáticos e geográficos das zonas de produção na composição dos azeites. — Isabel Seiquer, pesquisadora

Todos os três são amplamente reconhecidos como poderosos antioxidantes com comprovados benefícios anti-inflamatórios e anticancerígenos.

O azeite extravirgem foi extraído de azeitonas da variedade Arbequina cultivadas em 11 regiões diferentes do Brasil e da Espanha. Cada azeite extravirgem foi então testado quanto às concentrações dos três compostos químicos em laboratórios independentes.

Os pesquisadores descobriram uma forte correlação entre altitude, temperatura e precipitação e o nível desses compostos químicos nos azeites extravirgens.

“Quando analisamos as possíveis razões para essas correlações, descobrimos que havia uma influência significativa dos parâmetros climáticos e geográficos das zonas de produção na composição dos azeites”, disse Isabel Seiquer, pesquisadora-chefe do estudo. “Foram observadas relações positivas entre a altitude e os níveis de CoQ10, tocoferóis e fenólicos nos azeites. Também foram demonstradas correlações negativas com a precipitação.”

A equipe de pesquisa optou por estudar o azeite espanhol e brasileiro devido à sua justaposição: a Espanha é um produtor e exportador de azeite de longa data, enquanto o Brasil é um produtor incipiente e um importador em rápido crescimento.

Ambos também cultivam e colhem extensivamente a azeitona Arbequina, uma variedade espanhola bem conhecida.

“Devido às suas características particulares, as azeitonas Arbequina se adaptaram ao cultivo intensivo e superintensivo no Brasil”, disse Seiquer. “Diferentes fatores, incluindo aspectos climáticos e geográficos, podem afetar as características e propriedades do azeite resultante. No entanto, há muito poucos dados sobre suas qualidades e composição.”

Das 11 regiões selecionadas, Granada, na Espanha, apresentou a segunda maior altitude com os menores níveis de precipitação, e o Rio Grande do Sul, no Brasil, apresentou a segunda menor altitude com o maior nível de precipitação.

De acordo com a pesquisa, os azeites extravirgens de Granada apresentaram os níveis mais altos de CoQ10, com 85,3 mg/L. Os azeites extravirgens do Rio Grande do Sul apresentaram os níveis mais baixos, com 49,5 mg/L.

A dose diária típica de CoQ10 para adultos está entre 100 e 200 mg, tornando quase todo o azeite extravirgem uma fonte rica desse antioxidante.

Seiquer espera que os resultados deste estudo ajudem a influenciar a escolha dos locais onde novos olivais serão plantados, a fim de maximizar o valor nutricional do azeite extravirgem.

“Essas descobertas confirmam que os azeites extravirgens são uma das melhores fontes naturais de CoQ10 na alimentação”, escreveu Seiquer no relatório. “Como a ingestão atual de CoQ10 nos países desenvolvidos não é suficiente para compensar o declínio relacionado à idade (da síntese natural desses compostos no corpo humano), promover a ingestão de azeite extravirgem pode ser uma boa alternativa à suplementação.”

Seiquer planeja continuar sua pesquisa sobre os benefícios do azeite de oliva extravirgem para a saúde e disse que espera que a pesquisa de sua equipe revele mais benefícios para a saúde decorrentes dos compostos do azeite.

“Também observamos que, após a digestão, ocorre uma melhora nas propriedades antioxidantes dos óleos, o que é fundamental para muitos de seus efeitos na saúde”, disse ela. “Gostaríamos de estudar quais compostos são responsáveis por essas modificações.”