A Moagem de Riogordo homenageia o azeite Verdial

A associação Olearum Cultura e Patrimônio do Azeite organizou recentemente a primeira edição do evento “A Moagem de Riogordo”, que recriou a produção tradicional de azeite no Museu Etnográfico de Riogordo (Málaga).

A associação Olearum Cultura e Patrimônio do Azeite organizou recentemente a primeira edição do evento “A Moagem de Riogordo”, que recriou a produção tradicional de azeite no Museu Etnográfico de Riogordo (Málaga), construído no século XVII.

Este evento foi coorganizado pelo Museu Etnográfico, e a Prefeitura de Riogordo contribuiu para apresentar os antigos costumes e métodos de produção do famoso “Ouro Líquido Verdial” da região de Axarquía, onde o azeite Verdial é um dos produtos pelos quais Málaga é reconhecida.

O programa incluiu diversas atividades e palestras para os interessados em costumes tradicionais e folclóricos.

Riogordo é uma bela vila situada na região de Axarquía, cujos habitantes, desde tempos imemoriais, se dedicam à cultura do azeite, e onde a variedade Verdial de Vélez, nativa da região, se destaca como única no mundo.

As atividades tiveram início nas instalações da Agro-Olivarera Riogordo SCA, uma cooperativa formada pela união, em 2004, de duas cooperativas de olivais fundadas no início dos anos 60 com o objetivo de unificar seus mais de 1.300 associados. Os participantes puderam visitar suas modernas instalações e conhecer o atual processo de elaboração do azeite da Axarquía.

Eles também tiveram a oportunidade de saborear um tradicional café da manhã de moleiros, composto por suco de laranja natural, pão e azeite de oliva extravirgem produzido nesta cooperativa. Após um momento agradável, a próxima parada do dia foi a visita ao Museu Etnográfico de Riogordo.

A história deste museu começou em julho de 1998, quando Enrique Godinez Luque e sua esposa, Josefa Sanchez Bermudez, compraram uma casa em Riogordo que abrigava um moinho completamente em ruínas. As pedras do arco estavam despedaçadas, a coluna da prensa estava quebrada.

Nessas circunstâncias, teria sido mais fácil e barato reduzir esse moinho do século XVII a cinzas e construir um novo, um processo que se repete continuamente em todo o interior da Espanha. Mas Enrique e Josefa se apaixonaram por esse moinho. Essa é a principal razão pela qual sua reconstrução como museu foi descrita na época como “um museu que nasceu graças à tenacidade, perseverança e loucura de um casal apaixonado”.

Mas, às vezes, projetos românticos e extravagantes convencem pessoas e instituições, que, neste caso, deram um apoio importante: a Câmara Municipal de Riogordo, a Universidade de Málaga, a Real Academia de Belas Artes de San Telmo e a Ceder Axarquia subsidiaram parte da reabilitação do edifício.

Encorajado pelo apoio moral e pela ajuda econômica, Enrique embarcou em uma empreitada árdua que exigiu muitos sacrifícios, até que o museu abriu suas portas em agosto de 2001.

O projeto do museu foi concebido como uma exposição permanente onde o próprio edifício fosse digno de contemplação, mas também pretendia ser dinâmico e experiencial, com atividades como a moagem artesanal de azeite e a prensagem de uvas e azeitonas.

Nesta viagem, o Museu Etnográfico tornou-se, durante o fim de semana, um vaivém de emoções fortes. Ao longo da estrada, foram montadas diversas barracas onde era possível degustar e comprar alimentos típicos da região da Axarquía, como azeite de oliva extra virgem, cordeiro de leite, linguiças, queijo de cabra, pão e doces.

O dia da moagem começou com a primeira tarefa: a trituração das azeitonas Verdial, gentilmente cedidas pela Agro-Olivarera. Para isso, o antigo moinho de sangue foi “ligado” graças ao apoio leal da “Mula Verdial”, que realizou a primeira tarefa do dia: a trituração das azeitonas para transformá-las em uma massa compacta. Os aromas das azeitonas após a moagem entusiasmaram amigos e desconhecidos, que não estavam acostumados a tais emoções.

A tarefa foi concluída ao longo do dia com a ajuda dos próprios participantes, incluindo os sócios da Olearum que compareceram ao evento vindos de diferentes pontos da Espanha. A antiga prensa de alavanca com quatro colunas (século XIX) começou a exercer o torque necessário para separar as duas fases (líquida e sólida). A magia aconteceu naquele momento e o ouro líquido Verdial começou a fluir nessa decantação natural.

A sessão da manhã foi seguida por excelentes apresentações. A primeira foi conduzida por Francisco Lorenzo Tapia, presidente da Olearum, que falou sobre os projetos da associação e suas diversas atividades relacionadas à cultura da oliveira, e na hora do almoço os visitantes puderam desfrutar da culinária local.

As atividades do fim de semana terminaram com a exposição de dois magníficos exemplos da cultura espanhola ligados ao mundo do azeite: a arte publicitária do século XIX dedicada ao azeite espanhol e a projeção do filme “Ouro Líquido de Málaga”.