O solo pode ser o fator que mais influencia os níveis de fitoesteróis em certos azeites

Um novo estudo mostra que a qualidade do solo pode influenciar os níveis de glucosídeo de esteril nos azeites mais do que a variedade de azeitona ou os métodos de cultivo.

Os fitoesteróis são compostos vegetais semelhantes ao colesterol. As concentrações mais elevadas encontram-se em óleos vegetais, leguminosas e nozes. Existem mais de 200 fitoesteróis diferentes, incluindo o esteril-glicosídeo e outros derivados de esteróis. Está cientificamente comprovado que os derivados de fitoesteróis reduzem os níveis de colesterol plasmático e LDL, ao competirem com o colesterol pela absorção no trato digestivo.

Os autores de um estudo publicado recentemente no Journal of Agricultural and Food Chemistry compararam diferentes cultivares de azeitona, localizações de pomares, métodos de cultivo e épocas de amostragem, numa tentativa de determinar quais os elementos que influenciam os níveis de glucosídeo de esteril nos azeites. As conclusões iniciais sugerem que o pedoclima — ou seja, a água do solo, os nutrientes e a aeração — poderá ter o impacto mais significativo nas concentrações de glucosídeo de esteril.

Pesquisadores do Instituto de la Grasa, CSIC (Instituto de Gorduras e Derivados de Gorduras do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha) analisaram azeites virgens obtidos das variedades de azeitona Cornicabra, Manzanilla Cacereña, Manzanilla Castellana e Picual, cultivadas em oito pomares diferentes situados nos arredores de Madri, perto do rio Manzanares. Os pomares eram tipicamente plantados com 300 árvores por hectare, e tanto métodos de cultivo tradicionais quanto orgânicos foram incluídos no estudo. Os frutos foram colhidos manualmente e o azeite foi extraído dentro de 24 horas após a colheita para garantir alta qualidade. Um moinho de martelo Abencor® foi utilizado para triturar as azeitonas, com 700 g de pasta de azeite processados por hora. Quarenta e quatro amostras de azeite foram analisadas.

A variedade da fruta e o método de cultivo revelaram-se menos significativos do que as características do solo — o pedoclima — nos níveis de glicosídeos de esteril. Outra descoberta interessante foi a presença de uma variedade mais ampla de derivados de glicosídeos de esteril nos azeites do que a observada anteriormente. A metodologia utilizada no estudo foi eficiente e econômica, podendo, portanto, ser facilmente aplicada aos testes de rotina dos níveis de glicosídeos de esteril em azeites.

Como impedem a absorção do colesterol alimentar comum, sem serem facilmente absorvidos, os glicosídeos esteril, juntamente com outros fitoesteróis, induzem níveis mais baixos de colesterol total, o que, por sua vez, pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrame e ataque cardíaco. Este estudo contribui para a vasta evidência que demonstra que o azeite de oliva, com suas concentrações de ácidos graxos essenciais e compostos secundários, incluindo fitoesteróis e antioxidantes, é um elemento alimentar estratégico para o controle e a redução dos níveis de colesterol e dos riscos à saúde associados, bem como de muitas outras doenças. /fim/