13 novas variedades de oliveira descobertas na Catalunha
Atualmente, os pesquisadores estão estudando as características genéticas das variedades autóctones recém-descobertas para verificar como elas lidam com as condições climáticas extremas da região.
Pesquisadores do Instituto Catalão de Pesquisa e Tecnologia Agroalimentar (IRTA) identificaram 13 novas variedades locais de oliveira na comunidade autônoma, que a organização irá incorporar ao seu banco de germoplasma de oliveira.
O estudo, realizado pelo IRTA em colaboração com outras instituições da região, visa valorizar e promover o cultivo tradicional da oliveira e a produção de azeite em Pallars Jussà, o município onde as variedades de oliveira foram descobertas.
(Essas variedades de azeitona têm) uma proporção muito alta de ácido oleico e um grande número de polifenóis, o que lhes confere um sabor amargo e um toque picante proeminente, equilibrado e ricamente aromático.
Com a adição dos 15 novos espécimes, o banco de germoplasma da organização contém agora material genético de 65 variedades autóctones diferentes de azeitona de Catan.
“O estudo de variedades autóctones pode ser de grande interesse em situações de mudança climática, seja para identificar genes de resistência a pragas emergentes, para identificar genes de adaptação a condições de seca ou outras variações climáticas, ou para identificar compostos funcionais de interesse”, afirmou o IRTA em comunicado em seu site.
Veja também: Pesquisadores investigam as origens da azeitona branca de Tripolitânia na LíbiaAs características genéticas dessas variedades de azeitona são especialmente interessantes para os pesquisadores porque as azeitonas crescem e produzem azeite com sucesso em um dos climas mais extremos da Espanha.
Pallars Jussà fica no sopé dos Pirineus, no nordeste da Catalunha. A região enfrenta um clima excepcionalmente frio que se estende de novembro a abril, especialmente em altitudes mais elevadas, verões quentes e períodos de precipitação irregulares.
Os pesquisadores envolvidos no estudo catalogaram cuidadosamente as diferentes propriedades físicas e químicas de cada uma das árvores e de suas azeitonas, incluindo a descrição da forma das árvores, seus frutos, folhas e caroços.
Os pesquisadores também estudaram a composição molecular das variedades de azeitona e as características químicas e sensoriais do azeite.
De acordo com Antonia Ninot, pesquisadora do programa de fruticultura do IRTA, as novas variedades “apresentam, em geral, uma proporção muito alta de ácido oleico e um grande número de polifenóis, o que lhes confere um sabor amargo e um toque picante proeminente, equilibrado e ricamente aromático”.
“Essas qualidades as tornam muito interessantes do ponto de vista organoléptico e da saúde”, acrescentou ela.
A olivicultura em Pallarès Jussà tem uma longa tradição, com variedades autóctones e não autóctones amplamente cultivadas. No total, o município conta com 733 hectares de olivais que produzem cerca de 650 toneladas de azeitonas por ano.
“É um setor relativamente pequeno, onde a maioria dos produtores são agricultores com produção artesanal e venda direta, e a atividade não é a principal”, escreveram os pesquisadores.
Atualmente, o setor oleícola catalão é dominado pelo cultivo de quatro variedades principais – Arbequina, Morruda, Empeltre e Sevillenca –, sendo que a Arbequina representa cerca de metade de todas as azeitonas cultivadas na comunidade autônoma. As quatro variedades somam cerca de 85% do total do cultivo de azeitonas na região.
Os pesquisadores esperam compreender melhor as características dessas variedades recém-descobertas para apoiar a produção tradicional de azeite e a diversidade do setor oleícola da Catalunha.