A Aceite Uno ajuda a financiar pesquisas sobre leucemia infantil
A Uno leva o nome de uma fundação dedicada à pesquisa sobre a leucemia infantil.
“Nosso lema é que o Uno não é um bom azeite apenas porque o azeite em si é bom, mas porque faz algo que causa impacto na sociedade. Esse era um dos nossos objetivos”, afirma Víctor Forti, fundador e gerente da Aceite Uno, enquanto caminha por sua propriedade em Mancha Real.
Uma extensão aparentemente infinita de olivais cobre as colinas ao redor. Estamos no coração do mar de oliveiras, na província andaluza de Jaén.
O Uno (que significa “um” em espanhol) leva esse nome em homenagem à Fundação Unoentrecienmil — um entre 100 mil —, dedicada a financiar pesquisas sobre leucemia infantil e a melhorar o bem-estar das crianças que sofrem dessa doença.
“A economia colaborativa é um dos nossos valores orientadores. Acredito que, de alguma forma, é preciso retribuir o que se recebe da sociedade. Então pensamos: o que poderíamos fazer que fosse bom para as pessoas e para o resto do mundo? Conhecemos a fundação e decidimos colaborar com ela”, conta Forti ao Olive Oil Times.
A Fundação Unoentrecienmil foi fundada por José Carnero, cujo filho Guzmán foi diagnosticado em 2010 com leucemia linfoblástica aguda, um tipo de câncer que ocorre em apenas três em cada 100 mil crianças.
“Acima de tudo, foram dois pensamentos que me fizeram levantar: um foi a confiança de que ele seria aquele entre 100 mil a superar essa ‘formalidade’”, escreve Carnero no site da fundação.
“Além disso, desde o primeiro momento, tive plena certeza de que tudo acontece por um motivo: para melhorar algo, para mudar algo, para transformar algo”, acrescenta.
Em 2010, Carnero criou um blog onde compartilhava sua experiência e a de seu filho durante o tratamento da doença.
Logo depois, esse projeto serviu de base para a criação da fundação, que, nos últimos nove anos, conseguiu conceder oito bolsas de € 100.000 (US$ 111.000) a projetos de pesquisa sobre leucemia infantil.
Esses valores se alinhavam à vontade de Forti de seguir os princípios do empreendedorismo colaborativo. Por isso, ele decidiu destinar 30% dos lucros da Uno à Unoentrecienmil.
“É por isso que (nosso azeite) se chama Uno”, diz Forti. “Como o azeite de oliva é um produto realmente saudável, acho que essa colaboração faz sentido.”
Mas, além de buscar um bom propósito, Forti também queria produzir azeite de alta qualidade a partir dos olivais de sua família.
“Estudei Direito e depois entrei nos setores de lazer e hotelaria, mas minha família sempre trabalhou nos olivais. E, desde criança, sempre gostei de vir aos campos e trabalhar aqui. Então, quando tive a chance — porque meus pais estavam envelhecendo e não conseguiam mais cuidar disso —, dei um passo à frente e disse: ‘Ok, vou fazer isso’”, lembra ele.
Então, surgiu a ideia de produzir um azeite de colheita precoce, o que, na sua opinião, é fundamental para se obter um produto de alta qualidade.
Em 2019, a Uno ganhou uma medalha de prata no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC.
Os azeites de colheita precoce são um mundo de pessoas meio românticas e loucas que apostam mais na qualidade do que na lucratividade.
“Colhemos em três dias, mais ou menos. Colhemos com muito carinho, cuidando ao máximo do produto desde o momento da colheita até o momento do envase. Fazemos seis horas de colheita e, nas quatro horas seguintes, o azeite já está pronto”, explica ele.
Todo o azeite da Uno é produzido a partir da colheita de um dos olivais da variedade Picual de Forti, plantados há quinze anos.
A maioria dos olivais nesta região, entre o sopé da Sierra Mágina e o vale do Guadalquivir, são plantações tradicionais. “Aqui você não vai encontrar muitos hectares de produção intensiva”, destaca Forti.
“Esses olivais marcam o caráter das pessoas desta região. Mancha Real e Torrequebradilla não podem ser compreendidas sem os olivais”, acrescenta.
Três anos após sua fundação, o Uno ainda é um projeto relativamente novo. Quando questionado sobre como vê o futuro da marca, Forti se mostra ao mesmo tempo otimista e cauteloso.
“Começamos aos poucos, pois acredito que as coisas têm que começar assim. Quero consolidar o Uno como um azeite de boa qualidade e, passo a passo, ampliar sua distribuição. Mas sempre a partir dos meus próprios olivais e mantendo o mesmo padrão de qualidade”, diz ele.
“O mundo dos azeites de colheita precoce é um universo de pessoas meio românticas e loucas, que apostam mais na qualidade do que na lucratividade. E esse azeite, um dia — espero que em breve —, terá o reconhecimento que merece, porque exige muito trabalho, esforço e sacrifício.”