Brasil busca sua própria azeitona

Enquanto o debate gira em torno da questão de saber se a Maria da Fé é ou não uma espécie de oliveira exclusiva do Brasil, tanto os lagares tradicionais quanto as máquinas tecnologicamente avançadas têm contribuído para a melhoria da qualidade do azeite de oliva no país.

Em 2008, os olivicultores brasileiros extraíram seus primeiros litros de azeite de oliva. Quase uma década depois, esses produtores de azeite extravirgem gourmet continuam trabalhando diligentemente para conquistar uma base de clientes.

A vanguarda do azeite no Brasil se estabeleceu em duas regiões principais: a Serra da Mantiqueira (Minas Gerais) e o estado do Rio Grande do Sul.

Desde então, surgiram marcas como Olivas do Sul, Batalha de Ouro de Sant’Ana, Oliq, Cardeal, Prosperato e outras marcas de azeite extravirgem, obtendo sucesso nos mercados locais e regionais pela frescura de seus produtos e pela consciência de que comprar local não apenas impulsiona a economia, mas, mais importante, reduz nossa pegada de carbono.

Mas a identidade emergente do azeite extravirgem no Brasil também depende do potencial de suas terras aráveis e do aproveitamento de seu terroir para produzir sua própria cultivar de azeitona.

A sign announcing the Olive and Oil Technology Center in Maria da Fé, Brazil, dated February 29, 2008.

Aproximadamente 70% das azeitonas colhidas no Brasil são da variedade Arbequina. Os outros 30% se dividem entre Frantoio, Grappolo, Koroneiki, Picual e uma espécie peculiar, a Maria da Fé, que foi plantada há décadas na Serra da Mantiqueira.

Embora a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) ateste que a Maria da Fé é uma variedade de azeitona exclusiva do Brasil, alguns olivicultores argumentam que suas características são muito semelhantes às de sua variedade materna, a Galega portuguesa.

Enquanto o debate gira em torno de se a Maria da Fé é ou não uma variedade brasileira, Marcelo Scofano, autoproclamado olivologista e degustador profissional de azeitonas, afirmou que cinco azeitonas com qualidades únicas surgiram do terroir da cidade de Pelotas (Rio Grande do Sul).

Azeitonas Maria da Fé

Azeitonas Maria da Fé

“Cinco amostras genéticas foram enviadas a laboratórios em Portugal e outros países mediterrâneos. Elas estão prestes a serem declaradas como indígenas, não possuindo identidade com as variedades originais”, disse Scofano, acrescentando que a azeitona está atualmente em processo de registro no Ministério da Agricultura do Brasil.

Na última década, tanto os lagares tradicionais quanto as máquinas tecnologicamente avançadas contribuíram para o aumento da qualidade do azeite de oliva no Brasil.

Durante esse período, a produção saltou para cerca de 53 toneladas em 2016; no entanto, foram as ousadas experiências de plantio de oliveiras nos biomas brasileiros que despertaram maior interesse.

Desde então, sabores de goiaba e outros aromas maduros e herbáceos têm sido observados entre as marcas brasileiras de azeite de oliva. Esses aromas distintos ajudaram os produtores locais de azeite de oliva extravirgem a consolidar sua presença em pólos locais e regionais do país. E novas edições, nascidas da terra e da ecosfera ao sul do equador, podem estar no horizonte.