Guia brasileiro apresenta produtores locais
A segunda edição de um guia sobre azeites brasileiros conta as histórias das pessoas por trás desses produtos.
Após o sucesso da primeira edição, Sandro Marques publicou uma versão atualizada do seu guia sobre o azeite brasileiro, agora também em inglês.
Recorrente em todas essas histórias são pessoas que desejam recuperar um laço antigo que têm com seus avós, que vieram da Europa.
“A principal diferença este ano é que eu realmente consigo contar as histórias”, disse Marques, membro da Organizzazione Nazionale Assaggiatori Olio D’Oliva e editor do Um Litro de Azeite, ao Olive Oil Times. “As pessoas vão olhar para o azeite e saberão quem o produziu, como essa pessoa começou a produzir e por que o azeite é importante para elas.”
Marques queria ampliar a coleção de histórias que começou a ouvir quando iniciou a pesquisa para a primeira edição do livro, em 2016. Naquela época, seu principal objetivo era criar um registro escrito dos produtores de azeite que estavam no Brasil.
“Percebi que nossa produção brasileira estava mais ou menos consolidada, mas era difícil encontrar produtores, saber onde eles estavam, e eu estava muito curioso sobre suas histórias”, disse ele. “Então, no final de 2016, decidi, já que não havia dados, que iria sair em busca deles.”
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Marques conversou com cerca de 45 produtores para o guia, todos produzindo azeite em nível comercial.
“É claro que há muito mais produtores no Brasil, mas meu critério é um produtor que já tenha uma marca comercial com um rótulo”, disse ele. “Quero ajudar do lado do consumidor. Quero que os consumidores saibam o que é um bom azeite e como ele é produzido, bem como quem são as pessoas que o produzem.”

Guia do Azeite Brasileiro / Sandro Marques
Marques começou entrando em contato com associações de produtores de azeite. No entanto, muitos produtores no Brasil não são associados a esses grupos, então ele combinou métodos novos e antigos de comunicação para encontrar o restante: a lista telefônica e as plataformas de mídia social.
“Foi realmente o que chamamos em português de ‘trabalho de formiga’, porque fizemos isso aos poucos até finalmente termos todos os dados”, disse ele.
Depois de entrar em contato com todos os produtores, ele pediu que enviassem suas amostras para seu escritório em São Paulo, onde as provou e registrou suas observações. Ele também incluiu um parágrafo sobre o produtor.
Em sua última edição, Marques pôde voltar atrás e realmente conversar com todos os produtores para descobrir mais sobre suas histórias.
“Eu queria contar a história dos produtores brasileiros de azeite. Sobre suas terras e sobre o contexto em que estão produzindo”, disse ele. “Sempre há um componente de paixão que impressiona, mesmo que o produtor comece por motivos comerciais.”
Ele contou uma das histórias que mais ficou na sua memória. Foi contada a ele por Joice Capoani, neta de Jandir, que sonhou com os olivais italianos de sua avó durante toda a vida antes de finalmente plantar os seus próprios, já bem avançado na aposentadoria.
“Alegre como um menino, Jandir Capoani passeia pelo olival com suas netas”, escreve Marques no livro. “As árvores o ajudam a relembrar as histórias de seus antepassados da Lombardia, que se estabeleceram em Bento Gonçalves no início do século XX.”
“Jandir fundou uma fábrica, viveu toda a sua vida como empresário no setor industrial e levou quase 80 anos para resgatar as origens e a paixão pelas azeitonas que viviam em suas memórias… [Agora] suas netas estão se interessando pelo negócio, e o azeite extraído este ano faz uma ponte entre os ancestrais de Jandir e Olivia, sua bisneta, que verá essa história escrita nas folhas das árvores da Fazenda Tarumã da Boa Vista.”
Marques disse que esse tema do retorno a um modo de vida anterior e ancestral era comum entre muitos dos produtores com quem conversou para o livro.
“Como somos um país composto por imigrantes, o que é muito recorrente em todas essas histórias [é] o desejo das pessoas de recuperar um laço antigo que têm com seus avós que vieram da Europa”, disse ele. “Elas tentam honrar seus ancestrais cultivando oliveiras no Brasil. Quase todas as histórias têm esse componente.”
Apesar de ter acabado de concluir a edição deste ano, Marques já está pensando no próximo. Ele planeja expandir o guia para incluir empreendimentos de oleoturismo brasileiros, que estão surgindo aos poucos em todo o país.
“Havia muito poucos no ano passado, há vários este ano e já sei que há pessoas fazendo coisas incríveis para o ano que vem”, disse ele.