Estudo revela que os consumidores rejeitam o sabor amargo do azeite de oliva extravirgem

Uma nova pesquisa analisa como os consumidores percebem e avaliam o amargor nos azeites de oliva.

De acordo com um novo estudo, a maioria dos consumidores não gosta do sabor amargo no azeite de oliva extravirgem e percebe a intensidade desse sabor muito mais do que os especialistas.

A preferência por um perfil de sabor não amargo tem grande impacto na forma como os compradores escolhem um azeite extravirgem.

O estudo, conduzido por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Nápoles e publicado no International Journal on Food System Dynamics, avaliou a forma como essas preferências afetam as vendas de azeite extravirgem. Em um supermercado, os consumidores preferem azeites com notas neutras ou adocicadas.

Os pesquisadores compararam a pontuação que especialistas e consumidores atribuíram ao amargor de oito dos azeites extravirgens mais populares. Embora estudos anteriores sugerissem uma preferência geral por azeites de sabor neutro, a nova pesquisa também analisou a forma como os consumidores realmente percebem e avaliam o amargor.

O estudo constatou que o amargor no azeite extravirgem leva a uma percepção negativa do próprio produto entre os consumidores. Embora o amargor seja característico do azeite extravirgem autêntico e fresco, nenhum consumidor do estudo demonstrou preferência por amostras de sabor amargo.

“Os consumidores tendem sistematicamente a superestimar a percepção do amargor em comparação com os especialistas”, escreveram os pesquisadores.

O estudo destacou que as escolhas dos consumidores dependem de vários fatores bem conhecidos, como a marca do azeite extravirgem ou o preço por garrafa.

Os clientes podem tomar decisões rápidas quando encontram uma marca familiar e confiável na prateleira, mas quando não encontram sua marca preferida, procuram atributos do produto que nem sempre indicam qualidade, como a localização do produtor.

“Os atributos mais preferidos do azeite foram o sabor, a origem italiana e o método de produção orgânica”, observou o estudo

A preferência por azeite extra-virgem não amargo gera um impacto no valor percebido de US$ 1,27 por litro, segundo o estudo. Esse “valor negativo do amargor” é um dos critérios que os consumidores usam para fazer sua escolha final.

Embora os consumidores tendam a preferir azeites de sabor neutro, muitos atribuem uma qualidade especial aos azeites de sabor adocicado.

O estudo foi realizado com uma amostra de 196 pessoas. Em média, os participantes tinham menos de 40 anos, eram membros de famílias de quatro pessoas e possuíam ensino superior. Suas famílias consumiam 3,4 litros de azeite de oliva extravirgem por mês e responderam às perguntas dos pesquisadores após comprar pelo menos uma garrafa de azeite de oliva extravirgem.

A equipe de pesquisa observou que estudos adicionais deveriam ser realizados com amostras maiores e mais representativas da população.

Um membro do setor sugeriu que o estudo mostrou que os consumidores precisam ser educados sobre o azeite de oliva.

“O amargor é um sinal conhecido da presença de compostos fenólicos no azeite de oliva extra-virgem”, disse ao Olive Oil Times o agricultor e olivicultor italiano Angelo DalCima. “Não se quer que ele tenha um papel dominante no seu azeite de oliva extra-virgem, mas quando você prova pela primeira vez o seu azeite recém-produzido, fica feliz em sentir aquela nota amarga que lembra a azeitona fresca. É reconfortante”,

“Acho que devemos fazer mais para que os consumidores conheçam mais fatos sobre nossos azeites extravirgens.”