Agricultores ajudam a combater o coronavírus na Espanha
Os agricultores utilizam seus tratores para desinfetar locais públicos, enquanto os trabalhadores rurais enfrentam dificuldades para chegar ao trabalho devido às restrições de trânsito.
O impacto dramático do novo coronavírus na Espanha, que já havia ceifado mais de 1.300 vidas até o momento da redação desta matéria, levou os agricultores espanhóis a saírem às ruas novamente — não para protestar, mas para ajudar, com seus tratores e equipamentos, a conter a propagação da pandemia, informou a Asaja, Associação Agrária de Jovens Agricultores.
Agricultores em muitas regiões do país, trabalhando em conjunto com as autoridades locais, encheram os tanques de seus tratores com solução desinfetante (água e hipoclorito) e começaram a pulverizar ruas, praças, parques e outros locais públicos.
“Agricultores e pecuaristas não estão alheios aos tempos difíceis que toda a sociedade está passando e queremos contribuir com nossa pedacinho. Iremos aonde formos necessários para combater esse vírus que nos afetou a todos”, afirmou Pere Roque, presidente da Asaja-Lérida.
“Com tratores e pulverizadores, o objetivo é impedir a propagação do vírus, já que o uso desse tipo de maquinário é muito mais eficiente do que o tratamento realizado [manualmente]”, acrescentou.
Enquanto isso, as restrições na Espanha devido ao confinamento parcial do país dificultaram o deslocamento diário dos trabalhadores agrícolas e das instalações de manuseio.
Como explicou Emilio Terrón, secretário de agricultura e manuseio de frutas e vegetais da associação UGT-FICA, os trabalhadores rurais e aqueles que atuam em instalações de manuseio de produtos agrícolas costumavam compartilhar um veículo com colegas para se deslocarem, mas as novas medidas exigem que cada veículo transporte apenas uma pessoa (o motorista) para evitar qualquer propagação do vírus, o que representa um sério desafio para a maioria dos trabalhadores que não possuem carteira de motorista ou carro próprio.
Além disso, Terrón disse que alguns trabalhadores relataram à UGT-FICA que seus empregadores os ameaçaram com a condição de “afastamento voluntário” caso faltassem ao trabalho devido às restrições de trânsito.