Agricultores da Flórida lançam as bases para o crescimento do setor no Sudeste
A River Run Olive Oil Company está plantando novos olivais na Flórida, com grande atenção aos detalhes agrícolas e contando com a orientação de colegas de todo o país.
Enquanto os sócios da River Run planejavam o futuro de sua empresa na Flórida, lá por 2014, eles se viram em busca de novos caminhos a serem explorados. “Temos milho, temos vacas, vamos tentar algo diferente”, lembrou Mike Casey, sócio-gerente da River Run Olive Oil. O interesse deles foi despertado pela florescente indústria de azeite de oliva da Califórnia, e se perguntaram se seria possível produzir azeitonas no sudeste dos Estados Unidos. Pediram a Casey e sua esposa, Connie, que investigassem a questão.
Estamos dando passos de bebê. Primeiro, precisamos chegar à azeitona. —
A pesquisa do casal Casey os levou a uma viagem por todo o país para explorar operações na Geórgia, Califórnia, Texas e Arizona. Com base em sua própria pesquisa independente, eles perceberam que a latitude da Flórida Central era ideal para o cultivo de azeitonas. Depois de aprenderem com a orientação de produtores, eles se propuseram a determinar mais detalhes sobre as condições em suas próprias regiões.
Casey consultou várias estações meteorológicas nas proximidades do local onde planejavam plantar seus olivais. Ele descobriu que a região costuma ter de 500 a 700 horas de frio por ano, período em que a temperatura se mantém em aproximadamente 50°F (10°C) com relativa consistência. Esse período proporcionaria uma janela de oportunidade para colocar as árvores em repouso. “Tudo estava se encaixando”, disse Mike Casey.
Ainda assim, Connie se perguntou: “Se vocês tiverem sucesso e cultivarem as árvores, o que diabos vão fazer com todo esse azeite?” Assim nasceu a River Run Olive Oil. Com a ajuda de Connie e o conhecimento adquirido junto a consumidores, produtores e chefs, a nova empresa colocou em prática um plano para iniciar seus próprios plantios.
Casey enfatizou continuamente o caráter incipiente da indústria de azeite de oliva do Sudeste, afirmando que ela existe há apenas cerca de 6 a 7 anos. Para uma cultura cultivada há milênios, isso não passa de um piscar de olhos no tempo. “Há muitos níveis diferentes de conhecimento”, disse ele, explicando quais fontes foram mais importantes para dar início ao ambicioso projeto.
Ele expressou grande gratidão aos produtores da Geórgia, a Jennifer Gillett-Kaufman, da Universidade da Flórida (UF), e a Louise Ferguson, ex-aluna da UF que atuou como editora do Manual de Produção de Azeitonas. Casey também citou Bruce Golino, do viveiro de oliveiras de Santa Cruz; Jim Etters, da Seka Hills Olive Oil Co.; Adam Englehardt, da Associação Americana de Produtores de Azeite; e a equipe da Corto Olive Oil. Ele disse que, com o conhecimento fornecido por esses colegas competentes, sentiu-se à vontade para decidir “arriscar” até certo ponto, em vez de deixar a terra disponível ociosa, sem uso.
Casey também destacou a natureza de tentativa e erro dos esforços necessários para construir esse novo setor. O transporte das novas árvores revelou-se um obstáculo inicialmente ameaçador, já que a propagação ocorre apenas no oeste. A equipe optou inicialmente por árvores menores para economizar nos custos de transporte, mas, como explica Casey, “quanto menor a árvore, maior a taxa de mortalidade”. As novas árvores sofreram com a longa viagem até a Flórida. “O pessoal da Califórnia tentou explicar isso, mas nós éramos ingênuos e ignorantes.” Algumas lições são melhor aprendidas com a experiência.
Ao plantar as árvores, Casey lembrou que “elas foram plantadas diretamente no solo, em terreno árido”, seguindo o exemplo de seus colegas da Califórnia. No entanto, logo descobriram que as condições na Flórida diferem das da Costa Oeste, onde a precipitação é de 14 polegadas por ano, contra 40 na Flórida. A umidade na Califórnia geralmente oscila entre 20% e 30%, enquanto na Flórida pode variar de 80% a 90%. Embora a umidade possa fazer uma árvore crescer rapidamente, ela também representou um obstáculo, já que Casey logo teve que lutar contra uma “proliferação de ervas daninhas”, observando que “as ervas daninhas crescem mais rápido do que as árvores”.

Ele relatou a curva de aprendizado para dominar as variáveis de plantio, umidade e herbicida. Ao aperfeiçoar seu método, ele observou que causaram alguns danos com herbicidas nas árvores jovens, nas primeiras plantadas. Essa experiência ensinou à equipe que plantar em gramado, em vez de solo intocado, ajudaria a combater essa “forte pressão de ervas daninhas” e que “assim que [eles] estabeleceram a grama e o gramado, as ervas daninhas ficaram mínimas”. Além disso, a grama “jovem e tenra” também distrai os insetos, impedindo-os de se alimentarem das oliveiras. Mesmo com essas medidas em vigor, as áreas ideais para o plantio mudavam de acordo com as condições climáticas. Um ano após o plantio de suas primeiras árvores, o furacão Irma assolou o estado, causando o aumento do lençol freático. Isso trouxe preocupações adicionais que precisavam ser levadas em conta.
Os novos olivais incorporam muitas das tecnologias mais recentes para auxiliar no manejo das inúmeras variáveis presentes na gestão bem-sucedida de uma operação de cultivo de azeitonas. Há uma estação meteorológica em cada um dos olivais da River Run, medindo vento, umidade e evaporação, e controlando um sistema de irrigação computadorizado com base nas condições. Há uma sonda de solo para cada quarenta acres de árvores.
Com base em projeções da Califórnia, Casey estima que cada árvore deva produzir de 15 a 40 libras de azeitonas por ano, uma ampla variação que leva em conta a relativa incerteza. Os olivais foram plantados predominantemente no modelo de altíssima densidade (SHD), embora incorporem um modelo europeu para árvores maiores e mais velhas na entrada da fazenda. Isso dá aos pesquisadores da UF a oportunidade de comparar os dois modelos e permite que os moradores das áreas vizinhas possam, no futuro, participar de um programa de colheita própria. Casey observa que a resistência das oliveiras significa que elas são bem adaptadas para esse tipo de experimentação.
“Quando se opta pela alta densidade, opta-se pela mecanização”, destacou Casey. Os olivais são plantados com uma variedade de cultivares, incluindo a Arbequina (que Casey chama de “o cavalo de batalha da indústria da azeitona”), a Arbosana e a Koroneiki, alternadas em fileiras para maximizar seu potencial de polinização. Isso também representou um desafio, pois Casey e sua equipe descobriram que alguns polinizadores não se desenvolviam bem em temperaturas mais frias. Eles sofreram danos ao se recuperarem de invernos rigorosos, embora Casey afirme que, se os produtores “ficarem afastados por um tempo, [as árvores] terão alguma recuperação”.
Por fim, ao adaptar o conhecimento adquirido de seus colegas da Califórnia às condições específicas da Flórida, os olivais de River Run conseguiram reduzir os danos anuais de 25% para 12%: “O momento não estava a [nosso] favor para o transplante.”
Ele também atribui grande parte do sucesso aos pesquisadores da UF que têm estado no olival, coletando inúmeras amostras a cada dois domingos para fins de pesquisa. “Temos muita sorte de ter esse tipo de relacionamento.”
As preocupações de Casey centram-se principalmente na realização de sua primeira colheita, prevista para o próximo ano. Quando chegar a hora, ele observou que não haverá dificuldade em encontrar instalações na região para produzir azeite de alta qualidade. Ele afirma que a região Sudeste está “sobretirada” e que há “mais moinhos do que azeitonas”. Muitos deles estão nas proximidades, de Ocala e Live Oak até Valdosta. Eles também mantêm projetos cooperativos bem-sucedidos e já possuem relações pré-estabelecidas com a empresa. Considerando que investiram tanto dinheiro em suas operações de plantio e cultivo, ele atualmente não tem nenhuma intenção de construir um moinho próprio na propriedade da River Run.
Casey é um agricultor experiente e dedicado, cujo foco está na produção do melhor produto, em vez dos canais de varejo e marketing mais adiante na cadeia. “Estamos dando passos de bebê”, explicou ele. Antes de considerar esses próximos passos, eles precisam primeiro fazer com que as árvores cresçam. Quanto ao lugar da River Run no mercado mais amplo, Casey afirmou com humildade: “Somos tão pequenos — tenho certeza de que a Publix vende mais azeite em um dia do que conseguimos produzir em um ano.”
Um dia, eles planejam entrar no mercado de especialidades, com seu potencial de crescimento nas áreas metropolitanas da Flórida, mas, como Casey observou: “Primeiro, precisamos chegar à azeitona”. Seu compromisso em construir uma base sólida para que o restante do setor do Sudeste possa crescer pode vir a ser um impacto que Casey ainda não percebeu.