Itália pede ajuda para conter a praga que destrói as oliveiras

Entende-se que foram prometidos fundos de emergência da União Europeia à Itália para ajudar a conter a propagação de uma doença vegetal que está matando oliveiras.

Italy Seeks Help to Contain Olive Tree Killer
O eurodeputado Paolo De Castro

Fundos de emergência da UE teriam sido prometidos para ajudar a conter a propagação de uma doença vegetal que está matando oliveiras na Itália.

E o governo italiano afirma que está criando uma força-tarefa para lidar com o surto, que se acredita ser causado pela bactéria Xylella fastidiosa.

De acordo com os eurodeputados italianos Paolo De Castro (S&D) e Sergio Paolo Francesco Silvestris (PPE), cerca de 8.000 hectares de olivais na região de Salento, na Apúlia, já foram afetados e cerca de 600.000 oliveiras precisarão ser destruídas.

Doença transmitida por insetos

Em uma pergunta escrita à Comissão Europeia sobre medidas de contenção, De Castro afirmou que a bactéria causa o ressecamento da folhagem e o escurecimento da madeira, acabando por matar a árvore infectada.

A doença estava “se espalhando muito rapidamente, representando uma ameaça econômica e ambiental para toda uma região onde a produção de azeite é a principal atividade agrícola e onde oliveiras centenárias constituem uma parte inestimável da paisagem e do patrimônio natural”.

“A doença, que se acredita ser transmitida pelo cigarrinha (Cicadellidae), ainda não se propagou para outras regiões e muito menos afetou oliveiras no resto da Europa”, afirmou ele.

Ele perguntou quais medidas financeiras e outras a Comissão planejava tomar para “conter a rápida propagação da doença”.

“Séria ameaça aos olivicultores europeus”

Silvestris disse que se trata da primeira aparição na Europa do patógeno vegetal, que os especialistas consideram “uma grave ameaça aos olivicultores europeus, dado o ritmo em que a doença se está a propagar”.

Uma poda em grande escala de oliveiras para remover partes ressecadas pela doença está em andamento na área entre Gallipoli e Ugento, na região de Salento, sob a coordenação das autoridades regionais da Apúlia e das organizações de produtores, disse ele.

Entre outras medidas, ele solicitou recursos para um programa de emergência de pesquisa científica e medidas fitossanitárias, além de um banco de dados europeu do genoma de patógenos de culturas para centralizar informações sobre bactérias e parasitas.

Xylella fastidiosa
Xylella fastidiosa (Foto: Universidade da Geórgia)

Conforme noticiado na semana passada, o colega eurodeputado italiano Raffaele Baldassarre (PPE) também pediu ajuda urgente.

Azeite da Apúlia continua com “excelente qualidade”

O Olive Oil Times ainda não conseguiu confirmar as notícias da imprensa italiana de que o Comissário Europeu para a Saúde e Assuntos do Consumidor, Tonio Borg, prometeu ajuda de emergência.

A mídia italiana também informou que a ministra da Agricultura da Itália, Nunzia De Girolamo, havia prometido uma força-tarefa para combater a doença, que contaria com a ajuda de dois especialistas da Universidade da Califórnia.

A doença de Pierce, causada pela Xylella fastidiosa, foi descoberta em 1892 pelo californiano Newton B. Pierce em uvas na Califórnia.

De Girolamo afirmou em um comunicado à imprensa que a doença não estava afetando os frutos da oliveira e que o azeite da Apúlia continuava sendo de “excelente qualidade” e um dos alimentos mais saudáveis para os seres humanos.

Pânico, confusão, pessimismo

O surto causou certo pânico e confusão entre os olivicultores quanto às verdadeiras causas da doença e ao motivo de sua rápida disseminação nos últimos meses.

Isso também está provocando pessimismo entre alguns produtores, como expressou um agricultor em um fórum, que disse que parecia que “nos próximos cinco anos veremos um colapso das oliveiras do Salento”.

Acrescentando que, embora “há anos muitos olivais estejam em estado de abandono”, “partiria meu coração saber que muitos dos gigantes do Salento desaparecerão nos próximos anos… Não consigo imaginar minha terra sem oliveiras”, disse ele.