Novo dispositivo detecta adulteração por meio da espectroscopia de fluorescência
O sensor utiliza uma combinação de diodos laser e algoritmos desenvolvidos por computador para medir as emissões de luz de amostras de azeites, a fim de determinar se elas estão corretamente rotuladas.
Utilizando diodos laser e algoritmos, pesquisadores da Universidade Complutense de Madri (CUM) e do Instituto Scintillon desenvolveram um sensor que poderia ser usado para detectar garrafas de azeite com rótulos fraudulentos.
“A tecnologia se baseia na espectroscopia de fluorescência”, explicou John Cancilla, pós-doutorando do Instituto Scintillon que colaborou no projeto, ao Olive Oil Times. “Após irradiar as amostras de azeite com o diodo laser, os espectros de emissão são coletados.”
Essas emissões, que são a luz emitida pelas moléculas de azeite de oliva após serem excitadas pelo diodo laser, são únicas e refletem as diferentes concentrações de pigmentos que compõem cada uma das moléculas. Azeites adulterados apresentam espectros de emissão diferentes dos azeites extravirgens puros.
Os pesquisadores realizaram o estudo misturando três azeites extravirgens com DOP a azeites vencidos. Cento e cinquenta e quatro misturas contendo entre 1% e 17% do azeite extravirgem puro com DOP foram então analisadas juntamente com as amostras puras.

Após a coleta dos espectros de emissão, eles foram analisados pelos algoritmos. Uma vez analisados os dados, os pesquisadores conseguiram diferenciar os comprimentos de onda emitidos pelas três amostras de azeite extravirgem com DOP, tanto entre si quanto em relação às 154 amostras de azeite adulterado.
“Por meio da análise de dados e da modelagem, chegamos a ferramentas matemáticas capazes de distinguir, neste caso, o azeite extravirgem puro e fresco das amostras misturadas com azeite velho”, afirmou Cancilla, que trabalhou nos algoritmos do projeto.
Em um teste cego, os pesquisadores também conseguiram determinar a quantidade de adulterante adicionada aos azeites com DOP, com uma pequena margem de erro.
“A partir dos resultados desse minucioso procedimento de validação, pode-se constatar que uma ferramenta baseada em RANs inteligentes [os algoritmos] foi desenvolvida e otimizada para distinguir entre diferentes azeites extravirgens de DOP, bem como quantificar a quantidade de azeites extravirgens envelhecidos com os quais foram misturados”, escreveu no relatório José S. Torrecilla, professor titular da CUM que trabalhou no projeto.
Segundo Torrecilla, o sensor representa uma oportunidade sem precedentes para que os produtores de azeite protejam o valor de seu produto e para que os varejistas garantam que o que estão comprando é autêntico.

“A combinação de um diodo laser com modelagem cognitiva resulta em uma ferramenta rápida e econômica, capaz de autenticar rótulos de DOP de azeites extravirgens e estimar a quantidade de possíveis agentes adulterantes, como azeites de safras antigas”, escreveu ele no relatório, que deve ser publicado na próxima edição da revista Talanta.
Os sensores são fabricados com impressoras 3D e podem ser reproduzidos a baixo custo, tornando-os acessíveis para a maioria dos produtores comerciais.
“Outras vantagens claras da nossa ferramenta incluem a possibilidade de realizar análises no local, já que o equipamento tem o tamanho de uma pasta e, portanto, é portátil, além de gerar resultados em tempo real”, disse Torrecilla.
“Essa técnica está disponível para uso a qualquer momento e requer apenas amostras de azeite antes do envase, para controle de qualidade, ou após o envase, para detectar marcas e/ou produtores fraudulentos”, acrescentou.
Os sensores ainda não foram utilizados comercialmente, e o protótipo continua em fase de testes na Espanha. No entanto, há otimismo entre os pesquisadores de que o sensor estará pronto para uso comercial em breve.