Sobre a preservação e manutenção de oliveiras monumentais

Dicas sobre a preservação e manutenção de oliveiras monumentais, pelo renomado especialista Giorgio Pannelli.

A oliveira é a prova viva de que a beleza não tem nada a ver com perfeição. A evolução da madeira retorcida e nodosa para uma profusão de folhas lanceoladas e graciosas atinge sua máxima expressão estética nas árvores monumentais: os sulcos gravados na estrutura secular expressam a história ao longo dos séculos, assim como os sinais do tempo moldam o rosto humano.

Com mais de 30 anos de experiência em pesquisa e produção de azeite em todos os segmentos da cadeia de abastecimento, tanto agronômicos quanto tecnológicos, e mais de 260 publicações científicas e educacionais, Giorgio Pannelli é um dos principais especialistas na manutenção de oliveiras monumentais.

Não podemos intervir de forma excessiva na estrutura da planta se quisermos manter o caráter monumental. — Giorgio Pannelli

“As oliveiras monumentais são plantas de grande porte com uma estrutura lenhosa muito rica e sólida”, explicou Pannelli. “As características dessas plantas se devem à sua idade, à influência do DNA na resistência, ao ambiente de cultivo e às condições de saúde”, de modo que, em condições de estações férteis prolongadas, uma planta com resistência intrínseca e uma estrutura saudável pode atingir dimensões significativas ao longo de séculos e milênios.

“A intervenção de manutenção é necessária para garantir uma vida mais longa à planta”, afirmou Pannelli. Especialmente se a oliveira não tiver recebido cuidados por muitos anos, nossa ação é fundamental para evitar quebras e quedas, além de prevenir o surto de doenças.

Existem várias plantas monumentais na Grécia e na Espanha, mas a Itália é o único país com um patrimônio tão vasto, espalhado por toda a península: da Apúlia (2 milhões de plantas nas províncias de Brindisi e Lecce) à Toscana (na província de Grosseto), da Úmbria (Trevi, Terni e Lago Trasimeno) até Abruzzo (em Fossacesia, na província de Chieti) e Lácio (em Palombara Sabina) e muitos outros.

Giorgio Pannelli

Entre as mais antigas estão uma oliveira em Magliano in Toscana (Toscana), que provavelmente remonta ao período etrusco (500-800 a.C.), e a oliveira de São Emiliano em Trevi (Úmbria), que leva o nome da lenda do santo martirizado naquele local em 303 d.C., quando o edito de Diocleciano autorizou a perseguição aos cristãos.

“No que diz respeito à manutenção, primeiro temos que estabelecer se nosso objetivo é ornamental ou produtivo”, esclarece Pannelli. “O uso produtivo fica parcialmente comprometido, já que não podemos intervir de forma muito agressiva na estrutura da planta se quisermos manter o caráter monumental”, mas se nosso objetivo for uma boa colheita, podemos buscar preservar as dimensões da planta e torná-la manejável, para evitar o uso de plataformas elevatórias para poda e colheita. “É imperativo não comprometer o aspecto monumental da planta: nosso objetivo é racionalizar”, explicou Pannelli.

Se a oliveira for muito alta e extensa, sua estabilidade ficará comprometida. Os galhos laterais são a parte mais pesada da copa e eventos climáticos como vento e neve podem causar sérios danos, até mesmo a queda da árvore, se ela se deslocar muito do seu centro de gravidade. Portanto, devemos podar para limitar tanto a altura quanto a expansão lateral.

Uma árvore monumental em Villa Adriana antes e depois da restauração.

“Se você estiver cuidando de uma oliveira monumental para fins ornamentais, também precisa revelar a estrutura lenhosa”, ilustrou Pannelli. “Um tronco impressionante e galhos grandes conferem majestade à postura imponente da planta.” Portanto, devemos cortar os galhos (que, de outra forma, teriam sido mantidos para fins produtivos) que descem para esconder o tronco, a fim de expor a parte mais consistente da estrutura lenhosa. Em essência, essa é a diferença entre os dois tipos de intervenções.

Uma oliveira monumental tem uma finalidade estética, uma vez que a eficiência produtiva é prejudicada devido aos elevados custos de manutenção. Frequentemente, os produtores utilizam essas árvores seculares como emblemas de um azeite produzido a partir de plantas mais jovens da mesma variedade. “Essas plantas são ícones de um território, de um patrimônio, de uma tradição, de uma cultura”, considerou nosso especialista.

Em Villa Adriana, no Lácio, Pannelli conduziu um projeto de três anos com a cooperativa olivícola ACO e a colaboração do Instituto de Biociências e Biorrecursos (IBBR) do CNR de Perugia, gerenciando a manutenção de 14 oliveiras monumentais.

A poda foi realizada entre dezembro e março com plataformas móveis e empilhadeiras que permitiram aos operadores trabalhar com segurança. “Uma poda adequada é feita com cortes que respeitam a forma natural da copa, a estrutura e os mecanismos biológicos e fisiológicos da planta. Apesar de ter eliminado as partes densas, pesadas ou danificadas, ela mantém a aparência original da folhagem”, como se lê no interessante relatório do projeto.

Além da restauração, o IBBR realizou a identificação varietal e a datação por radiocarbono com resultados interessantes: as plantas mais antigas (a mais velha teria cerca de 660 anos) pertencem a uma variedade desconhecida.

Um fato interessante sobre a datação de oliveiras monumentais é a dificuldade em calcular a idade, pois a parte interna do tronco tende a desaparecer devido a doenças ao longo dos séculos. A madeira continua a crescer lateralmente, mas é oca internamente, o que muitas vezes torna impossível calcular a idade exata, levando os cientistas a fazer estimativas com base nos dados disponíveis.