Projeto na Grécia transforma o cultivo da oliveira em uma ferramenta de gestão climática

Há quatro anos, o Projeto oLIVE CLIMA, na Grécia, vem enfrentando os desafios impostos pelas mudanças climáticas no Mediterrâneo por meio da introdução de técnicas inovadoras para transformar o cultivo da oliveira em uma ferramenta de gestão climática.

Desde outubro de 2012, os olivais nas prefeituras mais férteis de Heraklion (E.A.S. Peza), Lassithi (E.A.S. Mirabello) e Messênia (O.P. Nileas), no sul da Grécia, participam de um experimento ecológico sob os auspícios da União Europeia.

A maioria das técnicas é, de fato, aplicável e traz benefícios financeiros imediatos, visíveis e positivos. — George Michalopoulos, agrônomo do oLIVE CLIMA

O Projeto oLIVE CLIMA tem sido um esforço para orientar o setor agrícola grego a enfrentar de forma eficaz os desafios mais dramáticos que as mudanças climáticas representam para a região mediterrânea como um todo, transformando o cultivo da oliveira em uma ferramenta de gestão climática.

Com um orçamento de € 3,65 milhões (financiado pelo Programa Life da UE), o oLIVE CLIMA estabeleceu padrões ambientais elevados desde o início e obteve resultados positivos ao longo do processo, conforme explicaram três de seus principais cientistas ao Olive Oil Times.

O projeto visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa, aumentar a captura de dióxido de carbono, reverter a tendência de perda de matéria orgânica do solo, aumentar a fertilidade e a retenção de água no solo dos olivais, fornecer aos agricultores e consumidores um sistema de informação transparente sobre o desempenho ambiental dos processos de produção de alimentos, diminuir o custo total de produção do azeite e criar valor agregado a partir da padronização de produtos que respeitem o clima.

Quarenta parcelas para cada área piloto (120 no total), tanto em condições irrigadas quanto áridas nas prefeituras selecionadas, passaram por práticas de cultivo totalmente novas.

“Começamos com a captura de matéria orgânica”, disse Georgios Koubouris, pesquisador do oLIVE CLIMA e do Instituto Grego da Oliveira, Plantas Subtropicais e Viticultura. “Reciclamos a madeira resultante da poda das árvores para usá-la como cobertura morta ou material nutritivo e utilizamos subprodutos do moinho de azeite na aplicação no solo, seja diretamente, seja após compostagem, derivados tanto do processo de cultivo da oliveira quanto da produção de azeite.”

“Em seguida, tentamos capturar dióxido de carbono da atmosfera e transferi-lo para as plantas por meio da fotossíntese, além de armazená-lo no tecido vegetal e no solo, modificando a flora do olival ou a poda das oliveiras.”

“Por fim, experimentamos práticas de conservação da matéria orgânica, por meio da não lavoura, a fim de limitar a erosão e a destruição da matéria orgânica e melhorar a capacidade de retenção de água do solo.”

Mais de quatro anos após o início do programa, as técnicas empregadas para impulsionar a produção de azeite verde nas regiões deram frutos.

“O que se confirmou é que a maioria das técnicas é de fato aplicável e traz benefícios financeiros imediatos, visíveis e positivos”, disse George Michalopoulos, agrônomo da oLIVE CLIMA e proprietário da Rodaxagrom, uma empresa de consultoria ambiental e agrícola.

“A poda modificada e os sistemas de não cultivo são bons exemplos. Outras, como a semeadura de inverno, serão avaliadas a longo prazo, provavelmente ao longo de uma década, enquanto técnicas como a compostagem precisarão de uma implementação em maior escala.

“Além disso, constatamos que algumas práticas exigem equipamentos mais especializados, por exemplo, a dispersão ou trituração das águas residuais dos lagares de azeite (OMW), especialmente no que diz respeito à produção de pellets. Devemos ressaltar que constatamos que todas essas práticas contribuem para o meio ambiente de diversas maneiras, além da luta contra as mudanças climáticas. Elas promovem a economia hídrica, a biodiversidade, a fertilidade do solo, previnem a erosão e muito, muito mais.”

Sunlight filters through trees in a serene, grassy landscape with stone walls in the background.

Quanto às atitudes dos agricultores locais, afetados pela crise, em relação às práticas verdes inovadoras, Koubouris disse que eles acolheram bem algumas das novas práticas, como a compostagem, a poda especial, o não cultivo ou a semeadura de inverno. A dispersão de OMW exigia autorização e, com o apoio do oLIVE CLIMA, essa técnica foi instituída na Grécia.

Nesse ponto, Dora Paschali, engenheira ambiental da oLIVE CLIMA e da Agência de Desenvolvimento das Autoridades Locais do Leste de Tessalônica – ANATOLIKI SA, destacou que um dos principais objetivos do projeto era livrar os agricultores da dependência da importação de produtos como fertilizantes nitrogenados. “Isso certamente tornou a crise mais suportável”, disse Paschali.

“Não se trata apenas dos agricultores. Cidadãos e consumidores têm percebido as mudanças climáticas em um nível mais pessoal. Eles reagem, tomam medidas, se adaptam”, explicou Michalopoulos. E o cultivo do azeite de oliva entra na equação exatamente neste ponto.

“Em novembro de 2016, a UE reconheceu que os produtos da azeitona são os únicos alimentos básicos no mundo dignos de créditos de pegada de carbono pelo ‘Product Environmental Footprint’ (PEF) da UE”, observou Michalopoulos.