A Comissão Europeia propõe a eliminação dos direitos aduaneiros sobre os ingredientes dos fertilizantes

A inflação, os problemas na cadeia de abastecimento e a invasão russa da Ucrânia provocaram uma disparada nos preços da amônia e um aumento nos preços da ureia, obrigando a União Europeia a agir.

A Comissão Europeia propôs a eliminação das tarifas sobre dois ingredientes essenciais utilizados na fabricação de fertilizantes nitrogenados, em um esforço para reduzir os custos de produção para os agricultores do continente.

De acordo com a Chemanalyst, uma empresa de pesquisa de mercado, o preço médio da amônia tem subido constantemente nos últimos anos, passando de cerca de US$ 215 por tonelada em setembro de 2020 para US$ 1.200 no final de março de 2022. No mesmo período, os preços da ureia também subiram, mas de forma bem menos acentuada.

A invasão russa da Ucrânia, o fechamento de portos chineses em resposta aos surtos de Covid-19, a inflação e o aumento dos preços do gás natural foram citados pela empresa como algumas das principais razões para os aumentos dramáticos nos preços.

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O gás natural é um ingrediente fundamental na produção de amônia, enquanto a China é um dos maiores produtores mundiais de ureia.

Em 2021, a União Europeia importou 2,9 milhões de toneladas de amônia e 4,7 milhões de toneladas de ureia. Dados do Banco Mundial indicam que a Rússia, a Ucrânia e a Bielorrússia estão entre os 10 maiores exportadores de amônia anidra e ureia para a União Europeia.

Embora o conflito na Ucrânia tenha reduzido drasticamente a produção de ambos os produtos, a UE também impôs sanções retaliatórias aos produtores da Rússia e da Bielorrússia. A Rússia também restringiu suas exportações de amônia anidra para outras partes do mundo, pressionando ainda mais o mercado.

Embora vários dos outros principais fornecedores desses ingredientes para o bloco de 27 membros se beneficiem de acordos de livre comércio com a UE, uma quantidade substancial provém de outros países sujeitos a tarifas que variam de 5,5% a 6,5%.

“Para aumentar a estabilidade do abastecimento, é apropriado ampliar temporariamente o escopo geográfico dos países fornecedores para além daqueles que se beneficiam de um acordo de livre comércio, já que o abastecimento está atualmente concentrado em um número relativamente pequeno de fornecedores preferenciais”, escreveu a comissão em sua proposta.

A Comissão Europeia acrescentou que a redução tarifária ajudaria a UE a criar um portfólio mais diversificado de importações de amônia e ureia, o que protegeria os agricultores das flutuações de preços específicas da região e tornaria os preços mais estáveis a longo prazo.

A proposta será agora encaminhada ao Conselho da União Europeia, que ajuda a coordenar a adaptação da legislação europeia em cada Estado-Membro, para análise.