Brasil elimina tarifas sobre as importações de azeite europeu
Autoridades brasileiras decidiram reduzir as tarifas de 9% para amenizar o impacto do aumento dos preços no maior país da América do Sul.
Os produtores e exportadores europeus de azeite acolhem com satisfação a decisão do Brasil de eliminar os direitos aduaneiros sobre as importações de azeite, que anteriormente eram de 9%.
Além do azeite, as tarifas foram reduzidas a zero para óleo de girassol, massas, arroz, carne, café, açúcar, biscoitos, sardinhas e milho.
O objetivo do governo federal brasileiro é apoiar o poder de compra das famílias afetadas pelos preços elevados.
Veja também: EUA removem tarifas sobre importações de azeite de oliva chilenoDe acordo com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, os aumentos de preços não foram justificados pelo aumento dos custos de produção ou pela inflação.
Ele citou o aumento de 20% nos preços da carne em janeiro e de 50% no café no mesmo período.
O azeite foi incluído porque sua popularidade tem crescido constantemente entre os brasileiros nas últimas décadas, com os consumidores cada vez mais conscientes de seus benefícios à saúde.
De acordo com dados do Conselho Oleícola Internacional (COI), o Brasil consumiu uma média anual de 96.800 toneladas métricas de azeite nos últimos cinco anos, em comparação com 23.700 toneladas entre 2001 e 2005.
Embora vários produtores brasileiros tenham recentemente ganhado reconhecimento internacional pela alta qualidade de seu azeite extravirgem, a demanda doméstica ainda supera em muito a produção nacional.
Dados analizados pelo Olive Oil Times mostram que a produção brasileira de azeite de amandoa aumentou de seis toneladas em 2013 para 531 toneladas em 2023.
Luis Planas, ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação da Espanha, acolheu a notícia com satisfação. Ele observou que as exportações espanholas de alimentos para o Brasil totalizaram € 122,9 milhões entre outubro de 2023 e setembro de 2024.
Embora a Espanha tenha exportado 11.284 toneladas de azeite para o Brasil nos primeiros nove meses de 2024, Portugal continua sendo o maior exportador de azeite para o Brasil. Em 2023, 60% das importações de azeite do Brasil vieram de Portugal.
De acordo com o banco de dados Comtrade da ONU, a Itália também é um importante exportador de azeite, tendo enviado aproximadamente 4.000 toneladas para o Brasil em 2024.
Walter Zanre, diretor-geral da Filippo Berio UK, disse ao Olive Oil Times que espera que o consumo de azeite no Brasil continue a crescer à medida que os preços na origem caem na Europa.
“À medida que os preços [na origem caem], esse é um mercado onde estamos muito interessados em abrir um escritório”, disse ele. “A Itália é o maior mercado, seguida provavelmente pelos Estados Unidos. Acreditamos que, com o tempo, o Brasil possa se tornar o terceiro maior consumidor de azeite de oliva do mundo.”
Espera-se que todos os principais exportadores de azeite aumentem sua participação no mercado brasileiro após a remoção das tarifas.
Em discurso no evento Expoliva, em Jaén, na principal região produtora de azeite da Espanha, Planas destacou que a decisão do Brasil contrasta fortemente com as tarifas sobre alimentos que os Estados Unidos podem implementar em breve. Cerca de 20% das exportações espanholas de azeite são destinadas aos Estados Unidos.
Embora a medida do Brasil seja motivada por sua situação econômica específica, ela ocorre em um momento crucial nas relações comerciais entre o Brasil e a União Europeia, onde a maior parte do azeite é produzida.
O Brasil e outros países do Mercosul assinaram recentemente um acordo de livre comércio com a União Europeia, um forte contraste com as políticas tarifárias dos EUA.
Caso o acordo entre em vigor, criaria a maior área de livre comércio do mundo, com benefícios potenciais para os produtores de azeite de oliva de ambos os lados do Atlântico.