Resíduos de azeite de oliva abastecem usina de energia espanhola e startup palestina

Uma nova fábrica terá como objetivo neutralizar os impactos negativos dos subprodutos da azeitona na região, ao mesmo tempo em que desenvolve um substituto confiável para os combustíveis fósseis.

Na semana passada, a Ence Energia y Celulosa SA, empresa de energia renovável e operadora de uma fábrica de celulose, anunciou que inauguraria uma nova usina de energia de biomassa de 50 megawatts em Puertollano, na Espanha.

A usina deve consumir cerca de 238.000 toneladas de biomassa por ano, tendo o bagaço de azeitona, os rebentos de videira, as folhas de oliveira e os resíduos agrícolas como combustível principal.

A quantidade de calor produzida pelo bagaço de azeitona é maior do que a da lenha comum e mais barata do que a dos derivados de petróleo. — Tamer Abo Motlaq, Projeto Bagaço de Azeitona

A Ence investiu cerca de € 100 milhões (US$ 111 milhões) em seu novo projeto, com a esperança de reduzir a queima descontrolada de restolho agrícola na Espanha.

A empresa estima que, quando estiver em pleno funcionamento, a instalação será capaz de produzir eletricidade suficiente para atender ao consumo de mais de 60.000 pessoas por ano.

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Os resíduos produzidos pela extração de azeite de oliva estão longe de ser insignificantes, não apenas na Espanha, mas em todo o mundo.

Em um estudo publicado no mês passado na EcoMENA, a autora Catherine Hansen discute os dois subprodutos da extração de azeite que representam uma ameaça ao meio ambiente: o bagaço de azeite (o resíduo sólido) e as águas residuais do lagar.

Hansen escreveu que os efluentes da produção de azeite de oliva contêm fenóis, um composto cristalino cáustico e tóxico que, “a menos que seja descartado adequadamente, pode resultar em sérios danos ambientais”.

“Não existe uma política geral para o descarte desses resíduos nos países produtores de azeite de oliva ao redor do mundo”, acrescentou ela.

Isso resulta em monitoramento inconsistente e diretrizes não uniformes nessas regiões. Assim, a nova usina da Ence trabalhará para neutralizar os impactos negativos dos subprodutos da azeitona na região, ao mesmo tempo em que desenvolve um substituto confiável para o combustível fóssil.

O Projeto Olive Jifit

A Ence não é a única empresa que vem tentando reaproveitar o bagaço como energia limpa nos últimos meses.

Uma startup palestina, o Projeto Olive Jifit, converte o jifit de azeitona (resíduos sólidos mais comumente chamados de bagaço) em pellets de combustível usados para geração de energia, avicultura e aquecimento doméstico.

O grupo, com sede na Cidade de Gaza, foi fundado pelos engenheiros civis Tamer Abo Motlaq, 26, Usama Qudaih, 24, e Khaled Abo Motlaq, 24, depois que eles inscreveram sua ideia de startup em um concurso da Danish Church Aid e ganharam US$ 5.000 em microfinanciamento.

Em entrevista ao Olive Oil Times, Motlaq explica que não há escassez de bagaço na região. Somente na Faixa de Gaza, “há cerca de 30 lagares de azeite que produzem aproximadamente 150.000 toneladas de jifit anualmente”, disse ele.

O grupo está atualmente coordenando com os lagares no município de Absan Alkabira, no sudeste de Gaza. Motlaq prevê um aumento constante na demanda por jifit nos próximos anos.

“A quantidade de calor produzida pelo jifit de azeitona é maior do que a da lenha comum e mais barata do que os derivados de petróleo”, disse ele. “Como [o jifit] é lixo, a porcentagem de lucro é alta em comparação com outros produtos.”

Motlaq espera continuar a desenvolver seu trabalho na área de bioenergia, encontrando maneiras mais baratas, eficientes e criativas de reaproveitar resíduos.