O aumento dos preços revela um potencial inexplorado para as exportações tunisianas

O aumento dos preços do azeite nos países de origem fez com que o valor das exportações tunisianas aumentasse em um terço no último ano, mesmo com a queda nos volumes.

As exportações de azeite, tanto em volume quanto em valor, aumentaram nos primeiros oito meses de 2022, de acordo com dados recentemente publicados pelo Observatório Nacional da Agricultura (Onagri).

De janeiro a agosto, as exportações de azeite aumentaram 1% em volume em comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo 145.000 toneladas. No entanto, o valor aumentou 33% devido a um aumento significativo nos preços do azeite por quilo, passando de 8,09 TND (2,66 €) para 10,66 TND (3,51 €).

Existem muitos produtos agrícolas, como azeite, tomates e tâmaras, que ainda têm um potencial de exportação inexplorado.– Houssem Eddine Chebbi, professor de economia agrícola, ESSEC

Desde o início da safra 2021/22, a Tunísia exportou 1,9 bilhão de TND (638 milhões de €) em azeite de oliva, um aumento de 30% em relação à safra anterior, apesar de o volume de azeite ter caído de 194.800 toneladas na safra 2020/21 para 184.000 toneladas.

De acordo com a Onagri, as exportações tunisianas de azeite contribuem significativamente para a balança comercial do país, atuando de certa forma como um contrapeso ao aumento de 110% nas importações de óleo vegetal e ao aumento nas importações de outros produtos básicos, como açúcar e cereais.

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Dados comerciais do Conselho Oleícola Internacional indicam que a Tunísia exportou uma média de 218.000 toneladas de azeite por ano nos últimos cinco anos, colocando o país como um dos maiores exportadores do mundo.

A produção tunisiana de azeite vem ganhando relevância para a economia devido a importantes acordos comerciais internacionais, principalmente com a União Europeia. Esses acordos permitiram ao país vender azeite para grandes e prósperos mercados globais com tarifas mínimas.

Um estudo recente apresentado pela fundação alemã Bertelsmann Stiftung enfatizou a relevância estratégica das relações comerciais com a UE para o país. Setenta e cinco por cento de todas as exportações tunisianas vão para a UE, e 50% das importações totais do país vêm de países da UE.

De acordo com o relatório da fundação, a UE pode desempenhar um papel ainda mais proeminente na sustentação da economia tunisiana.

“No entanto, alguns produtos agrícolas tunisianos estão sujeitos a restrições comerciais da UE, razão pela qual apenas 56.700 toneladas de seu azeite podem ser exportadas para a Europa com isenção de impostos”, afirmou o relatório.

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Há vários anos, as autoridades tunisianas vêm solicitando à Comissão Europeia o aumento da cota de exportações de azeite isentas de impostos.

De acordo com o relatório, a invasão russa da Ucrânia exerceu uma pressão crescente sobre a economia do país, e a UE deveria tomar nota disso.

“Existem muitos produtos agrícolas, como azeite, tomates e tâmaras, que ainda têm um potencial de exportação inexplorado”, disse Houssem Eddine Chebbi, um dos autores do relatório e professor de economia agrícola na Ecole Supérieure des Sciences Economiques et Commerciales, em Túnis.

“A Tunísia tem várias possibilidades de ampliar ainda mais sua gama de produtos e volumes de exportação no mercado europeu”, acrescentou ele, e deveria “iniciar negociações com o bloco europeu e aumentar as cotas de exportação para produtos estratégicos, como o azeite de oliva”.

“Isso teria um impacto positivo na economia nacional e, consequentemente, na estabilidade do país”, concluiu Eddine Chebbi.