Onde a demanda por azeite de oliva está aumentando e diminuindo

O espetacular aumento na demanda por azeite de oliva nos mercados emergentes deve se manter, impulsionado em grande parte por questões relacionadas à saúde, segundo um relatório do Rabobank.

O espetacular aumento na demanda por azeite de oliva nos mercados desenvolvidos e emergentes fora da região do Mediterrâneo se manterá pelo menos nos próximos cinco anos, impulsionado em grande parte por questões relacionadas à saúde, segundo um relatório do Rabobank.

A unidade de pesquisa em alimentos e agronegócios do banco vê oportunidades de expansão de mercado para grandes marcas globais e também para líderes em custo que aproveitem o crescimento das marcas próprias e firmem acordos de distribuição na China.

No entanto, todas precisam de cadeias de suprimentos mais integradas para adaptar seus modelos de negócios aos diferentes mercados e para diversificar e fortalecer suas fontes de abastecimento em meio à crescente volatilidade dos preços, afirma o relatório.

Os principais participantes nas vendas globais de azeite

No relatório “Globalização da Demanda por Azeite de Oliva”, o Rabobank dividiu o mercado de varejo em três grupos:

– engarrafadores de marcas globais, por exemplo, as marcas Deoleo/Bertolli, Salov/Berio e Borges;
– líderes em custo/fornecedores de marcas próprias, por exemplo, Sovena e Hoijblanca, e países como Espanha, Marrocos e Tunísia;
– produtores de nicho de alto padrão.

A distribuição é fundamental para conquistar a China

O relatório afirma que os grandes engarrafadores terão sucesso “com marcas de primeira linha e em países emergentes”. Mas, embora o mercado não possa prescindir de marcas de primeira linha fortes, as marcas de segunda linha não conseguem igualar sua capacidade de inovação e influência de marketing e serão as primeiras a perder espaço nas prateleiras.

Grandes marcas europeias de azeite vêm ganhando espaço em supermercados premium em Pequim, Xangai e Guangzhou, mas os canais de distribuição da China são fragmentados e os consumidores não demonstram fidelidade às marcas. O acesso à distribuição é fundamental para que as marcas estrangeiras alcancem um público maior.

Líderes em custo/fornecedores de marcas próprias

A China, onde várias grandes empresas estatais vêm aumentando suas importações de azeite a granel para incorporar em novas misturas de marca própria, também representa uma oportunidade para os líderes em custos (que se beneficiam de custos operacionais mais baixos).

“Os líderes em custos devem considerar parcerias com marcas locais que já possuam capacidade de distribuição”, afirmou o Rabobank.

Mas, para aqueles que desfrutam de grandes economias de escala, o fornecimento de produtos de marca própria (como azeites de lojas ou de marcas próprias) é a opção mais promissora.

Prevê-se que a participação das marcas próprias no setor alimentício como um todo dobre para 50% até 2025 e, no Reino Unido, já está próxima desse valor para o azeite de oliva. No entanto, nos Estados Unidos e na Itália, ela representa apenas 25% e 20%, o que configura uma “perspectiva interessante”.

Mercado de nicho diversificado e forte no segmento de luxo

Os participantes desse nicho já têm bom desempenho no mercado de alto padrão com azeites diferenciados por serem extravirgens, com Denominação de Origem Protegida (DOP) da União Europeia, aromatizados e assim por diante.

“Todos esses produtos estão registrando um crescimento muito alto, particularmente em países desenvolvidos e mercados tradicionais”, afirmou o Rabobank.

Crescimento global mais rápido nos mercados emergentes

O mercado global apresentou uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 3% entre 2008 e 2012, mas a taxa nos mercados emergentes e desenvolvidos foi descrita como espetacular.

Os mercados desenvolvidos — dos quais os EUA e, em seguida, o Japão são os maiores — cresceram a uma CAGR de 4% e devem repetir o feito nos próximos cinco anos, graças principalmente aos benefícios do azeite de oliva para a saúde.

Há vinte anos, eles representavam um décimo do consumo mundial e agora consomem um quarto dele.

E também são os mais importantes em termos de valor, representando 41% do mercado global.

Embora tenham partido de uma base mais baixa, os mercados emergentes – incluindo Brasil, Rússia, Índia e China – expandiram-se três vezes mais rápido. Eles registraram uma CAGR de 13% nos últimos cinco anos, e o Rabobank espera que um crescimento semelhante de dois dígitos continue nos próximos cinco.

Os países da região do Oriente Médio e Norte da África (MENA) apresentam menor consumo per capita, mas absorvem 19% do azeite vendido.

E do outro lado do mar, o norte do Mediterrâneo ainda apresenta a maior taxa de consumo do mundo, mas um mercado muito maduro e estagnado. O Rabobank prevê que as vendas no varejo caiam um pouco na Grécia e aumentem apenas ligeiramente na Itália e na Espanha.

Produção

A Espanha é responsável por 45%, e a região do Mediterrâneo por 97%, da produção global de azeite. Estima-se que a Espanha tenha um potencial de longo prazo de 1,8 milhão de toneladas por ano, mas atualmente a média é de 1,3 milhão.

A produção grega e italiana vem caindo desde 2002 e, embora a Itália tenha conquistado “uma reputação considerável no mercado de exportação graças a marcas históricas”, ainda não é autossuficiente. “A olivicultura italiana continua muito fragmentada e caracterizada por uma falta de cooperação que dificulta o crescimento”, afirmou o Rabobank.

Entre os países da região MENA, Marrocos e Tunísia foram destacados como apresentando alto potencial para crescimento futuro.

Classificação do azeite

Diante de uma preocupação como a recentemente expressada pela Deoleo, o Rabobank afirmou que as atuais categorias do Conselho Oleícola Internacional (COI) para o azeite de oliva estão relacionadas ao processo de produção e que muitos consumidores carecem da “sensibilidade gustativa refinada necessária para apreciar os diferentes tipos de azeite de oliva”.

“As classificações do COI podem não ser o único fator adequado para promover o desenvolvimento do mercado”, afirmou.